sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Gramas e quilos

Há pesos e medidas para avaliar. E os valores médios dão-nos sempre a comparação inevitável e necessária para perceber se estamos no caminho certo. Devia existir uma tabela assim, com valores de referência, para nos ajudar a avaliar os nossos actos e os dos outros e perceber porque é que, por vezes, andamos tão longe dos valores de referência e, outras, tão perto dos números máximos.
A relação com os outros é um dos maiores desafios humanos.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

As doenças

Estar doente é uma chatice. Deixamos de ser úteis. Passamos a ser aquele com quem não se pode contar, que não está a acompanhar a carruagem, que está mas não está. De quem se pensa, mas com quem não se conta. Estar doente é um incómodo para as rotinas, para as exigências.
Acho que quando estamos doentes não somos bem tratados. Já não vamos ao cinema, já não somos convidados para jantares, já não nada. Porque estamos doentes.
Isto não vem a propósito de nada. Mas é uma coisa que já me andava a circular na cabeça há algum tempo.

sábado, dezembro 29, 2007

A poucos dias de 2008

O meu 2007 foi mesmo bom. Bom de verdade. Sempre que comia as 12 passas (quase sem respirar para não sentir o sabor) pedia as mesmas coisas. E este ano tive-as todas. Excepto, claro, o euromilhões. Mas já todos sabemos que o dinheiro não traz felicidade.
O que me faz tremer são outras coisas. O som mais fantástico que ouvi este ano foi um pumpum forte a bater dentro da minha barriga. Depois de meses de escuta atenta, de análise mútua, já sinto o meu bebé quase em pleno. Conheço um pouquinho da sua personalidade, falo como ele e sei que ele me ouve.
As passas que comi por tradição trouxeram-me novos rumos profissionais. Desafios tão exigentes,estes... E, sobretudo, a certeza de que tudo é possível. Que nada se faz e acontece sem esforço e dedicação. Que o tempo, o destino, sei lá, Deus encontra formas de nos por no caminho as coisas quando têm de ser.
E há mais de dez anos também me pôs uma pessoa no caminho. E é tão bom que até dói. Se 2008 tiver um quarto de tudo isto, vou continuar a ser feliz.

quarta-feira, setembro 05, 2007

A minha cidade




You Belong in Amsterdam



A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.

Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).

sábado, março 31, 2007

Os sacos de papel

As mulheres devem ter uma fixação qualquer com sacos de papel. Daqueles que nos dão nas lojas quando compramos roupa. Nos transportes públicos não há mulher que não carregue todos os dias, santos ou não, o raio do saco de papel. Há umas que insistem em levar o mesmo saco todos os dias totalmente enrugado, gasto pelo manuseamento, com mau aspecto. O que é que transportam? A comida para o almoço? A revista para ler no metro? Outros sacos?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Chegar aqui

Estive aqui a reler post antigos e percebi que desejei tanto o que me está a acontecer que, hoje, não consigo deixar de ter medo do que aí vem. Quando as expectativas, esperanças e desilusões são grandes, chegar ao ponto de partida que sonhámos anos a fio pode ser tenebroso... A minha natural (?) tendência para dramatizar impede-me, às vezes, de celebrar a sério este momento fantástico. E não é que depois de sair, voltei?!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Faz tudo

Depois de muita reflexão, comprámos a famosa Bimby. Já a tenho há três dias e ainda não peguei num tacho. A tecnologia serve para isto mesmo, não?

sábado, dezembro 02, 2006

Ocupação


Ocupar uma casa é um processo gradual. A primeira noite em que se estreia o quarto, as casas de banho, a sala, a cozinha, vamos ganhando espaço, conquistando as paredes, puxando tudo para nós. As molduras com fotos, o quadro que comprámos num sitio especial, as prendas dos amigos, os lençóis novos que a mãe ofereceu, contribuem para fazer de uma casa vazia um "lar".
Ainda estou no processo de completa paixoneta pela minha nova casa. Estou a conquistá-la aos poucos e a ocupar com jeitinho todos os cantos.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Em trânsito

Desde segunda-feira que deixei oficiamente de ser jornalista. Foram cinco anos de muito entusiasmo, stress, angústia, alegria, sofrimento, inquietude. Sobretudo, ricos em experiências. Hoje sou o que sou porque fui jornalista. Nunca teria saído do casulo se não fosse a profissão obrigar-me a soltar a garganta. A minha timidez, a exagerada emotividade, a insegurança, foram ultrapassadas em inúmeras ocasiões, desafios que superei sempre surpreendida comigo mesma. Saio deste período da minha vida com expectativa. Ainda não tenho saudades, porque a verdade é que aquilo que dei ainda não me veio devolvido. Ou talvez seja esta mudança a grande recompensa de nunca ter desistido do sonho.
Quis ser jornalista porque queria fazer a diferança. Seguir aquela ilusão adolescente de combater as injustiças através da denúncia. Enfim, fiz isso algumas vezes. Posso dizer que toquei na vida de pessoas anónimas, lhes dei esperança, lhes ouvi as histórias e desabafos. Mas também dei voz a outras que nem sempre tinham coisas, de facto, importantes para dizer. Quando o trabalho se torna mecânico é hora de parar. E foi assim que procurei outras coisas. Vou para o outro lado da barricada. Há dez anos atrás, consideraria isso uma traição. Hoje não sou tão radical.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Quero uma

terça-feira, outubro 17, 2006

Teresa Jesus

Tenho mais de um século de vida. Nas minhas rugas estão as minhas lutas. Sempre trabalhei. A minha infância foi passada numa fábrica que tinha milhares de trabalhadores, a mexer em cortiça. Casei tarde, aos 28 anos, com um corticeiro chamado Baltasar. Tive um filho e hoje encosto-me a este portão e recordo com saudade esta casinha, onde trabalhei durante 55 anos. Gosto de mexer na fechadura e imaginar que subo as escadas em direcção à sala onde, aos 10 anos, tirava as aparas das rolhas. Tenho 101, mas as forças para andar não me abandonaram. Estou lúcida. E tenho muitos amigos.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Garagem

É o mito do empreendedorismo. Num espaço rectangular, sem luz e sem piada nenhuma nascem ideias milionárias, como a do You Tube ou do Google. Se calhar, o que falta em Portugal são apenas garagens. Talvez não as haja em quantidade suficiente.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O Homem Almofada

Vou ao teatro de tempos a tempos. Tenho sempre vontade de ir, mas lembro-me sempre das desilusões que já apanhei e das secas bolorentas que vivi naquelas cadeiras duras. Mas ontem, depois de ver The Pillowman, escrito por Martin McDonagh e encenado por Tiago Guedes, pensei tanto nas histórias que li quando era criança que só por isso já valeu a pena. Escrever é uma responsabilidade enorme e quem utiliza as palavras como ganha pão, depressa se esquece das consequências invisiveis que provoca.

Mudar

Quando tomamos decisões, provocamos coisas nos outros, mesmo que só a nós nos digam respeito. Não é fácil fazer passar mensagens ou mostrar aos que nos rodeiam que não estamos assim tão satisfeitos com a nossa vidinha. Apesar das gargalhadas e da boa disposição, é normal querermos mudar. O mais interessante nisto tudo, é perceber a imagem que reflectimos no espelho, a opinião que os outros têm de nós. Com decisões, baralhamos a estabilidade, a rotina, as verdades que não se mudam e, por isso, se tomam por garantidas. Quando decidimos mudar, mudamos também os outros.

terça-feira, outubro 03, 2006

Encantamento

Quando nos mudamos para um sítio novo, há sempre uma fase de encantamento. Olhamos as ruas de forma diferente, observamos as pessoas com curiosidade genuína, imaginamos e traçamos planos ambiciosos para as tardes de domingo. Depois, quando a novidade passa, começamos a entrar numa rotina contínua, deixando cair por terra alguns dos objectivos iniciais. Passamos a encarar o novo espaço como habitual, os percursos diários tornam-se monótonos e até os pequenos detalhes deixam de ter tanta importância. Não seria magnífico podermos preservar o primeiro olhar, todos os dias? Ver sempre o essencial, aquilo que é "invisível aos olhos", como se lê no Principezinho... Porque é que perdemos o encanto da novidade?

terça-feira, setembro 26, 2006

Ligações


Será estranho não sentir qualquer melancolia ou pena ao abandonar uma casa onde vivi durante dois anos? É pouco tempo, mas é no nosso habitat que passamos o nosso tempo, que rimos e choramos. Ao ver as paredes sem quadros, a ausência de tapetes e os pregos inestéticos espetados por todo o lado, não me ocorre nenhum pensamento de saudade. Estou, até, aliviada por finalmente ver o desfecho desta novela. Não vou ter saudades. Nem do campo. Nem das ovelhas.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Café

Gosto de entrar num café em Lisboa e de ouvir os clientes a serem tratados pelo nome. Gosto da familiaridade que não exagera, que não é intrometida, que é educada e sensível. Gosto do cheiro de casas antigas, cheias de recordações e momentos perdidos. Gosto de passear nas ruas estreitas, de subir as calçadas e ouvir o som dos meus sapatos nas pedras. Tac, tac, tac.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Espiritualidade

Este fim de semana estive num café que tem uma capela. É o primeiro em Portugal e copia uma ideia do Canadá, da década de 70. Enquanto se bebe um bica e se pede uma tosta mista, reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria. A mistura até parece estranha, mas diz quem arrancou com o projecto que o objectivo é agarrar todos os que se sentem afastados da Igreja.
Eu até gostava de me sentir mais próxima porque acreditar numa coisa que nos supera, que nos guia, é muito confortável quando a vida anda meio desnorteada. Sentir que estamos sozinhos no universo e que só servimos para nascer e morrer deixa-nos angustiados e, por isso, acreditar em Deus é uma espécie de bálsamo. Mas é difícil abraçar esta causa quando a visão que nos passam é limitada por muitas barreiras e fronteiras.
O café até podia ser um espaço de encontro livre com Deus ou com a fé de cada um, mas como sempre, há a tendência de limitar a liberdade religiosa a uma única verdade. Uma boa oportunidade seria, sim, um café verdadeiramente espiritual, onde pudéssemos reflectir, meditar, conversar sem censuras sobre o mundo que nos rodeia. Bebendo uma chávena de chá.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Coisas normais

Será normal uma auto-estrada ter tampas de esgoto de dois em dois metros na faixa da direita que, por sinal, foi acabadinha de fazer graças a um alargamento das vias?