- Dormiste bem?
- Sim
- Sonhaste?
- Sim
- Sonhaste com o quê? Com carros?
- Não, com palavras
- Com palavras? Quais?
- Muitas
quarta-feira, janeiro 19, 2011
segunda-feira, janeiro 17, 2011
porque não faço o que tenho para fazer?
Tenho uma coisa para fazer há quase três anos e não sai. Não sei porquê, não sai. Em vez de estar aqui a escrever no blogue devia era estar a fazer o que tenho para fazer.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Biggest Loser
Quando o Francisco dorme eu entro no mundo da Nigella Lawson, do Biggest Loser, do Cake Boss, do Say Yes to the Dress, do What Not To Wear... Vidinha de dona de casa... Conseguirei recuperar neurónios?
segunda-feira, janeiro 10, 2011
vírus, outra vez
Ele deve ser bem forte e destemido porque depois do Guilherme decidiu ir parar ao Nuno, a mim e, agora, à minha mãe. O Francisco também está a lutar contra ele, de olhitos molhados e noites difíceis. Caro vírus, se me estás a ouvir, podes sair da minha casa, por favor? À tua conta, teremos de festejar a chegada do novo ano noutra data. Comer as 12 passas, pedir os desejos e fazer as promessas para 2011 talvez daqui a uns meses.
quinta-feira, dezembro 30, 2010
no way out
o inverno é mau. chove. faz frio. não podemos sair de casa, passear. há vírus por todo o lado. constipações em cada esquina. o inverno é bom. o frio bate na cara, o chá quente sabe melhor, a casa fica confortável. É difícil estar sozinha com o Inverno. Sem poder sair.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
No hospital
O pai segura o bebé enrolado num cobertor amarelo e grosso. O bebé afundado naquele mar de pêlo quente e os braços do pai enrolados à volta dele, o olhar ansioso de quem daria uma perna para estar no lugar do filho. Nos bancos da sala de espera as cabeças pousadas nos ombros das mães, os olhos aguados, os mimos de conforto enquanto não se ouve o nome a sair dos altifalantes.
Depois, nos dias que se seguem na enfermaria, primeiro não acreditamos que vamos ficar a dormir muitos dias no cadeirão velho e quebradiço que se estende à cabeceira do bebé. Depois, o tempo passa e vamos assimilando as rotinas. Fazemos amigos no quarto ao lado, partilhamos histórias, desejamos as melhoras, escolhemos as boas e as más enfermeiras. À espera que chegue o dia de regressar a casa.
terça-feira, dezembro 07, 2010
terça-feira, novembro 16, 2010
sábado, novembro 13, 2010
Amamentação
Não quero lançar foguetes antes da festa, mas acho que finalmente me reconciliei com a amamentação. Para mim era um processo natural. Ia amamentar os meus filhos da mesma forma como sempre quis ir para a universidade. Ou seja, era assim que ia ser e pronto. Com o Guilherme sofremos os dois e hoje tento perceber como é que isso terá afectado a nossa relação. Era uma sofrimento. Não pedi ajuda, desenvencilhei-me sozinha, com os mamilos em sangue, os caroços, as mastites, as dúvidas. Lágrimas e suores frios. Uma sofrimento estúpido. Depois passou. E amamentei até aos seis meses e meio.
Com o Francisco muni-me de todos os truques que aprendi. E uma enfermeira disse-me o essencial: as minhas mamas são as únicas que ele tem para mamar. Tendo isso em conta, tenho de arranjar estratégias para que a amamentação resulte. Se for preciso mamilos de silicone, usar. Se for preciso tirar leite e dar-lhe de biberon, paciência. Se a minha opção como mãe é amamentar, se quero que resulte, tenho de encontrar a forma que mais se adequa à minha realidade. E foi assim que fiz. Outra enfermeira do centro de saúde veio cá a casa. E também me ajudou. E apesar de ter tido um noite em lágrimas porque, mais uma vez, tinha os dois mamilos em sangue, percebi que amamentar é uma montanha russa: depois dos momentos maus vem sempre um bom e é por isso que eu nunca desisti. Porque depois da angústia, na próxima mamada corria tudo bem e eu sentia-me mais feliz do que nunca.
Contas feitas, foram dois dias difíceis. Dou de mamar feliz. E o meu bebé também está feliz.
(Re)nascimento
O Francisco nasceu e de repente o meu Guilherme cresceu. Quando o vi a entrar pela porta do meu quarto no hospital pensei: o que é que aconteceu nestes quatro dias? O corpo já não é de bebé, está forte, com as mãos enormes e os olhos amêndoa ainda mais abertos. Como é que eu perdi este crescimento? porque é que não o vi? Foram os dias em que estive internada? Ou ele já estava grande e só com o nascimento do Francisco nos apercebemos que o nosso Gui, afinal, já deixou de ser um bebé? Ao pé do irmão é enorme.
Olha para ele e diz: Francisco não chores, o papá está aqui, a mamã está aqui. Quer mais o pai do que a mãe, como se eu estivesse destinada a cuidar em exclusivo do irmão. Gosta do seu espaço, das suas coisas, de ter garantias. E a mãe está muitas vezes a dar de mamar ao Francisco. É difícil não estar com ele sempre que ele precisa.
sexta-feira, outubro 15, 2010
Dejá vu
Chegamos às 38 semanas este domingo e o Francisco não dá sinais de querer sair da barriga, apesar dos pedidos em surdina que lhe faço. Começo a mentalizar-me que desta vez também devo chegar às 41 semanas...
domingo, julho 25, 2010
Não
O Guilherme decidiu que a palavra mais divertida é "não". Diz não a tudo. Não quer ser super herói. Não quer comer. Não quer ir ao bacio. Não quer calçar os sapatos. Às vezes é impossível não desatar a rir com a forma decidida com que diz "não". E é preciso uma imaginação muito muito fértil para contornar esta fase , quando eles nos testam até aos limites. Cada gesto nosso tem um impacto tão directo que chega a assustar.
sábado, julho 10, 2010
Segunda gravidez
terça-feira, janeiro 19, 2010
Indecisões
porque é que eu queria ser jornalista? porque queria estar na rua, falar com pessoas, entrar na vida delas por um instante e relatar isso ao mundo. queria fazer a diferença, não ser indiferente. mas olho à minha volta e não estou a fazer nada disso.
gosto do que faço? às vezes sim. muitas vezes não. acho que não me questiono, faço e pronto. trabalhei tanto para chegar aqui. foi tão difícil. mas ao fim do dia o que é que fica? o que é que ganho?
segunda-feira, janeiro 04, 2010
2010
Escrevemos o que queríamos para este ano num papelinho quadrado, tirado daquele molho de folhas que comprei em Macau o ano passado. Escrevemos o que queríamos para este ano,a nossa lista de desejos e objectivos para 2010 que, antes de existir, já era tão citado. Nos meus textos fartei-me de escrever 2010. O ano da recuperação, da retoma. O regresso. Depois da crise.
2009 não foi nada de crise. Demos passos em frente, com medo e sem medo. Foi bom. A vida mudou tanto com a chegada do G. que, muitas vezes, olho para o N. e pergunto-me o que fazíamos antes? Como éramos? Como passávamos as tardes de sábado? Como sorríamos daquela maneira? Como éramos felizes?
Os papelinhos em que escrevemos os nossos desejos foram queimados depois da meia noite e lançados no ar.
2009 não foi nada de crise. Demos passos em frente, com medo e sem medo. Foi bom. A vida mudou tanto com a chegada do G. que, muitas vezes, olho para o N. e pergunto-me o que fazíamos antes? Como éramos? Como passávamos as tardes de sábado? Como sorríamos daquela maneira? Como éramos felizes?
Os papelinhos em que escrevemos os nossos desejos foram queimados depois da meia noite e lançados no ar.
quarta-feira, novembro 25, 2009
mais uma estrela
Elas chegam de forma intensa. Tão emocionante que custa descrever. No dia 22 chegou mais uma estrela, aterrou aqui em Lisboa, para dar sentido à vida da C. Não há nada, mesmo nada, mais importante na vida do que dar à luz.
domingo, outubro 04, 2009
Nuvens
Vistas lá do alto apetecem comer. O nevoeiro ajudou o avião a subir e ultrapassar o mar de nuvens que tapava o céu esta manhã. Olhei para cima e vi o véu limpo e mais escuro ao longe. Se o avião subisse mais ficava noite. Como será ver as estrelas mais de perto?
Aterrei em Estocolmo debaixo de chuva. O aeroporto de Arlanda é igual aos outros. Mas dá para ver que há mais preocupações com as mães, os pais e os filhos. Tão simples de ver. Num café fashion, por exemplo, há um local próprio para deixar os carrinhos. E as mães conversam despreocupadas com os bebés nos braços.
Um passeio até ao centro da cidade e os pés ardem. Tal como as mãos congeladas pelo frio violento. O centro é medieval, com lojas típicas de "souvenirs fast food".
Aterrei em Estocolmo debaixo de chuva. O aeroporto de Arlanda é igual aos outros. Mas dá para ver que há mais preocupações com as mães, os pais e os filhos. Tão simples de ver. Num café fashion, por exemplo, há um local próprio para deixar os carrinhos. E as mães conversam despreocupadas com os bebés nos braços.
Um passeio até ao centro da cidade e os pés ardem. Tal como as mãos congeladas pelo frio violento. O centro é medieval, com lojas típicas de "souvenirs fast food".
terça-feira, setembro 15, 2009
quarta-feira, agosto 12, 2009
sexta-feira, agosto 07, 2009
Trabalho de Verão
Havia tempos em que a senhora que está a vender bolas de praia podia descansar durante todo o Inverno. No Verão, fazia o rendimento anual à custa de dois meses e meio de vendas frenéticas a estrangeiros que não hesitavam em gastar dinheiro em coisas inúteis, e a portugueses levados pelo impulso das férias. Gastamos sempre mais nestes dias preguiçosos, sem horários.
Mas a senhora que vende bolas de praia já teve de trabalhar o inverno passado para poder pagar as contas. Por um lado, tenho pena. Por outro não.
Mas a senhora que vende bolas de praia já teve de trabalhar o inverno passado para poder pagar as contas. Por um lado, tenho pena. Por outro não.
segunda-feira, junho 22, 2009
O meu maior defeito
São muitos. A minha lista é infindável. Mas há um mesmo chato. É o que me faz ter roupa por passar a ferro desde o Verão do ano passado. O que me faz deixar roupa suja em cima da cama. O que me faz deixar os óculos no lavatório e os brinco em cima da cómoda. O que me faz não fazer a cama, nem um único dia. Só em dias de festa. O que me faz ficar três horas deitada no sofá a ver televisão. O que me faz deixar roupa por apanhar no estendal uma semana.
Chama-se preguiça. E no Verão fica ainda maior.
Chama-se preguiça. E no Verão fica ainda maior.
terça-feira, junho 02, 2009
sábado, maio 30, 2009
Para a minha amiga C.
Eu sabia. Sempre soube que um dia me ias ligar a convidar para almoçar. E que não seria um almoço qualquer. Irias insistir para que eu fosse. E, se eu não consegueguisse sentar-me à mesa contigo, olhos nos olhos, me irias ligar. E ligaste. No dia 28 de Maio de 2009 a boa notícia chegou. Estou tão feliz por ti... tanto! Um abraço, de parabéns, apertadinho.
sexta-feira, maio 22, 2009
Bebés a nascer
Pequeninos, rosados, de olhos fechados e choro de gato.
Cheiram bem, quentinhos, pequeninos e rosados
Bebés a nascer
Trazem esperança. Fazem-me acreditar
Inocência de uma ponta à outra
Cheiram bem, quentinhos, pequeninos e rosados
Bebés a nascer
Trazem esperança. Fazem-me acreditar
Inocência de uma ponta à outra
domingo, maio 03, 2009
Dia da Mãe
É receber mimos logo de manhã, todos os dias. É ouvir as gargalhadas, mesmo pelo telefone. É conseguir partilhar o filho com os outros. É estar longe e ter o coração sofrido.
sexta-feira, maio 01, 2009
Lay-off
O trabalhador também devia poder avançar com um processo de lay-off do patrão. Durante seis meses, o dito chefe ia porta fora e deixava a empresa entregue a quem a faz.
sexta-feira, abril 24, 2009
Posts
Quando era freelancer tinha muito mais histórias para contar. E mais giras. Com mais pessoas reais. Agora a minha observação do mundo limita-se a perceber se a pessoa que estou a entrevistar está ou não a dizer verdade.
quarta-feira, abril 22, 2009
Manifesto: Ser ninguém é bom!
Do comboio da Fertagus, que me levava desde Corroios até Entrecampos, vi um cartaz pendurado na parede de um colégio. Vejo esta escola de recreio limpo todos os dias quando estou sentada à janela. Vejo as crianças de bibe aos quadrados, vestidos de igual, penteados de igual. Os pais deixam-nos à porta, em carros bons, outros nem por isso.
A frase atingiu o meu estômago em segundos. Dizia: "Ou protagonistas ou ninguém". Naquele momento só me apeteceu soltar um grito de exclamação, daqueles de fazer voltar as cabeças dos passageiros. Refilei em silêncio, apontei a frase espetada naquele cartaz gigante, impresso em plástico de qualidade (deve ter custado uma fortuna), para não me esquecer. "Ou protagonistas, ou ninguém". Educar não é isto. E só me apetece fazer um manifesto pelos "ninguéns" onde me incluo. Ser ninguém é bom!
Não me quero cruzar na rua com as crianças que estão a ser formatadas naquele colégio caro. Tenho a certeza que cospem para o chão, desprezam os taxistas e empregados de mesa, têm o nariz empinado, pensam que são bons e confiantes mas ainda dormem na cama dos pais.
São, de certeza, MBAs engravatados, que só falam num jargão decorado da Harvard Business Review (que subscrevem só para ler os títulos) e têm amigos com empregadas para cuidar dos filhos só porque querem jogar playstation e o bebé faz muito barulho.
Eu não quero estar no lado destes protagonistas. E a direcção daquele colégio devia ser recambiada para o Bairro da Jamaica no Seixal para poder aprender e ver quem são os verdadeiros protagonistas.
A frase atingiu o meu estômago em segundos. Dizia: "Ou protagonistas ou ninguém". Naquele momento só me apeteceu soltar um grito de exclamação, daqueles de fazer voltar as cabeças dos passageiros. Refilei em silêncio, apontei a frase espetada naquele cartaz gigante, impresso em plástico de qualidade (deve ter custado uma fortuna), para não me esquecer. "Ou protagonistas, ou ninguém". Educar não é isto. E só me apetece fazer um manifesto pelos "ninguéns" onde me incluo. Ser ninguém é bom!
Não me quero cruzar na rua com as crianças que estão a ser formatadas naquele colégio caro. Tenho a certeza que cospem para o chão, desprezam os taxistas e empregados de mesa, têm o nariz empinado, pensam que são bons e confiantes mas ainda dormem na cama dos pais.
São, de certeza, MBAs engravatados, que só falam num jargão decorado da Harvard Business Review (que subscrevem só para ler os títulos) e têm amigos com empregadas para cuidar dos filhos só porque querem jogar playstation e o bebé faz muito barulho.
Eu não quero estar no lado destes protagonistas. E a direcção daquele colégio devia ser recambiada para o Bairro da Jamaica no Seixal para poder aprender e ver quem são os verdadeiros protagonistas.
sexta-feira, março 27, 2009
O twitter está a abarrotar
... por isso volto ao velho blogue para dizer que estou quase quase no avião rumo a França. E é indiscutível que da próxima vez levo o G.
quarta-feira, março 18, 2009
terça-feira, março 10, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
reflexão
Ter amigos é uma coisa complicada. Ou então eu é que sou complicada. Acho que deve ser isso. Porque não vejo mais ninguém a queixar-se.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
A vida certa


É o número da vida certa e esteve comigo todos os dias que passei do outro lado do mundo, no meio de casinos, bicicletas, neóns, e gente... tanta gente! O 3 andou comigo para todo o lado, mesmo antes de aterrar em Hong Kong. E foi em Macau que soube mais coisas sobre o seu significado e foi também lá que soube que a vida é demasiado curta para caber nela tanta coisa. Só pode haver qualquer coisa do doutro lado.
quinta-feira, outubro 09, 2008
Três horas
É o tempo que um CEO de uma das 500 empresas do índice S&P tem de trabalhar para ganhar o ordenado anual de um funcionário com salário mínimo. A estes o tempo rende.
Tempo
Corro de um lado para o outro e vejo as horas esticar. Quando olho para o calendário já lá estou. Os dias passam, passam, passam. Tudo corre. Sou velocista, recordista. Condenso todos os sorrisos, brincadeiras, abraços e beijos do mundo num par de horas. Porque é que o tempo não tem tempo?
quinta-feira, outubro 02, 2008
domingo, setembro 28, 2008
Back to business
Já está. Uma semana de trabalho já passou. O meu cérebro ainda não está alinhado nas prioridades da "vida real" e vai levar algum tempo até conseguir pôr tudo a rolar cá dentro. Mas tenho cá uma sensação de que, quando conseguir, ninguém me pára. Olé, Olé.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Desmame
É oficial. Já estou nos 30, sou mãe, portanto, é altura de deixar de vestir roupa de adolescente. Stacy e Clinton vocês fazem-me uma falta dos diabos... mas quero aqui deixar bem claro que a minha amiga V. não vos fica atrás. Também é perita no "what not to wear" e proibiu-me de voltar a comprar t-shirts de algodão sem graça nenhuma. E a pensar no conjunto todo. Portanto, estou oficialmente no desmame, tal como o G. nestes últimos dias. É a contagem decrescente até o regresso ao trabalho.
quarta-feira, setembro 10, 2008
Participação de nascimento
sábado, setembro 06, 2008
O meu irmão
O meu irmão é corajoso. Está sempre a despedir-se dos amigos, de nós, do quarto onde dorme desde que é gente, dos cheiros da casa, do mar, do país, das ruas, do sol, do peixe grelhado, dos sons. Quer mais. Viver mais, conhecer mais, aventurar-se, procurar a sorte noutros lugares. Na cidade onde está a morar, descobriu os cheiros dos outros mercados, das ruas, das pessoas. Encontrou o amor. Tenho muito orgulho nele. Ainda que me custe estar sempre a despedir-me. E abraçá-lo porque se vai embora.
terça-feira, setembro 02, 2008
Sopas + Fruta
Está tudo preparado. Descasco uma batata e uma cenoura, ponho a Bimby a trabalhar e a primeira sopa do G já está em execução. Tenho a máquina fotográfica a postos, o babete também, a cadeira preparada... E eis que o meu bebé decide dormir! No momento decisivo em que lhe vou apresentar a senhora colher e o senhor prato, ele decide esfregar os olhinhos e dizer na sua forma especial (muááá) que está com sono. Agora, tenho a sopa e a fruta pronta a comer, a descansar sobre taças de água a ferver, à espera que ele decida acordar.
domingo, agosto 31, 2008
Atar palavras com cordas grossas
Tinha tanta coisa para escrever. Coisas que fui pensando ao longo destes dias. Mas foi por ouvir uma autora brasileira na TSF, cujo nome não sei porque apanhei a entrevista a meio, que me lembrei das minhas reflexões de adolescente sobre o poder das palavras. Ela tinha uma palavra preferida: decantar. Decantar emoções. Decantar a realidade. Decantar. E disse também que as palavras são a nossa continuidade. São parte do ser humano. São duras. São incríveis. Belas e poderosas. Há palavras que aniquilam as acções, outras que as acompanham. E quando saem disparadas da nossa boca, assim sem controle?! É como um fogo que sobe na garganta, imparável. Quando saem da nossa boca, não há nada que as impeça de explodir na cara dos outros, nas paredes, no ar. Partem a loiça. Deixam cacos no chão e tornam muito difícil a tarefa de os voltar a colar.
Isto tudo a propósito de ser preciso às vezes atar as palavras com cordas grossas. Fazer com que não saiam. Mesmo que o nosso fundinho, aquele que explode, que quer gritar, dar murros na mesa ou saltar para cima do condutor desenfreado, esteja desejoso de as ver sair. Aquele lado irracional, animal, que anda à solta dentro de nós. Somos uns doidos, todos.
As palavras também mentem. E nós vamos atrás delas desenfreados, loucos, numa espécie de auto-estrada vertiginosa, perigosa, alucinante, e por todos estes motivos, atraente.
Isto tudo a propósito de ser preciso às vezes atar as palavras com cordas grossas. Fazer com que não saiam. Mesmo que o nosso fundinho, aquele que explode, que quer gritar, dar murros na mesa ou saltar para cima do condutor desenfreado, esteja desejoso de as ver sair. Aquele lado irracional, animal, que anda à solta dentro de nós. Somos uns doidos, todos.
As palavras também mentem. E nós vamos atrás delas desenfreados, loucos, numa espécie de auto-estrada vertiginosa, perigosa, alucinante, e por todos estes motivos, atraente.
quarta-feira, agosto 20, 2008
É bom
Saber falar outras línguas, conhecer pessoas de outros países, partilhar experiências e abraçar amigos. Há telefonemas que nos deixam felizes.
segunda-feira, agosto 11, 2008
Filosofia de ponta
Um dos desafios da maternidade/paternidade é conseguir fazer gracinhas a um bebé que chora desalmadamente há meia hora só porque não quer dormir.
sexta-feira, agosto 08, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
Impotência
É ver uma tia abrir um pacote de bolachas com açúcar, dar a provar ao G. e vê-lo a lamber a dita com satisfação. E eu que só queria apresentar-lhe o açúcar lá para os 12 meses... Uma distracção e somos ultrapassadas num ápice.
quinta-feira, julho 24, 2008
Ainda mais perto dos 30
Saí para jantar fora e só depois de estar no carro e a meio do caminho é que reparei que tinha as calças sujas. Calças brancas. Estou definitivamente a entrar nos 30. E a começar a ter "mommy brain".
terça-feira, julho 22, 2008
Amamentar
Amamentar é bom. Nem vou falar dos benefícios para os bebés e para as mães. Mas também é mau. É solitário, dói, faz feridas, infecções, desgasta. A minha experiência tem sido tão instável como o temperamento de uma mulher que acabou de dar à luz. Ora excelente. Ora doloroso. Ora hilariante. Ora depressivo. Três meses depois ainda me perseguem as mastites. Mas o leite materno é tão bom tão bom que vale a pena o esforço. (cá no fundinho grito: "Só faltam dois meses para fazer a transição para as sopas!! YUPIII!!!)
sábado, julho 19, 2008
Obrigada

Pela maravilhosa receita que tem refrescado os nossos sábados. Hoje fiz a versão com banana congelada, iogurte, mel e canela. Uma delícia. Só faltou a menta para refrescar. No sábado passado foram os pêssegos. E como não tinha o licor que vem na receita original, utilizei moscatel roxo. Aprovado!
sexta-feira, julho 18, 2008
Crescer deve doer
Já não me lembro se tive dores de crescimento naquela fase da pré-adolescência, mas crescer deve custar muito. O G. estica as mãos com esforço para alcançar os objectos, concentra-se ao máximo, olha fixamente enquanto o braço abana até chegar ao brinquedo que eu seguro vezes em conta no ar. No dia em que olhou pela primeira vez para as mãos percebi que todos os passos pequenos que ele dá diariamente são o resultado de um esforço enorme de coordenação. Não são mesmo conquistas pequenas.
A minha mãe diz-me que o primeiro mês de vida de um bebé deve ser mais comemorado do que o primeiro ano. Porque conseguir passar por todas as mudanças desde que se sai do útero da mãe é uma vitória.
A minha mãe diz-me que o primeiro mês de vida de um bebé deve ser mais comemorado do que o primeiro ano. Porque conseguir passar por todas as mudanças desde que se sai do útero da mãe é uma vitória.
terça-feira, julho 15, 2008
Perto dos 30
Parece uma fronteira. Há uma indecisão. Continuo a ser jovem ou já sou adulta? Tenho de me vestir à mãe? Devo largar definitivamente as calças de ganga? Fazer madeixas no cabelo?
Vou fazer madeixas. Mas as calças de ganga ficam. A não ser que já não caiba no 38 que tenho nos cabides. Aos 30 estou com as ancas mais largas.
Vou fazer madeixas. Mas as calças de ganga ficam. A não ser que já não caiba no 38 que tenho nos cabides. Aos 30 estou com as ancas mais largas.
terça-feira, julho 08, 2008
Mudanças
Vejo tudo mais claro
Mais branco
Mais límpido
Menos negro
Mais feliz
Hoje sou mais eu do que ontem
Mais branco
Mais límpido
Menos negro
Mais feliz
Hoje sou mais eu do que ontem
quarta-feira, julho 02, 2008
Entre cá e lá
Esta vida é tão boa que quando acabar vai ser difícil regressar ao trabalho. Apesar dos dias em que as birras se prolongam, há sempre dias bons a seguir recheados de sorrisos e descobertas. Apesar de alguma solidão que as mães enfrentam quando cuidam 24 horas por dia de um bebé, saber que ele está a dois passos de nós dá-nos uma tranquilidade imensa. Quando tiver que voltar a enfrentar o computador, o telefone, as saídas, os táxis, vou estar sempre a pensar nos sorrisos que estou a perder, nas novas aventuras, nos detalhes que não vi.
Estou entre cá e lá. Porque também tenho saudades das saídas e dos táxis, de estudar coisas novas, de escrever, de pesquisar. De trabalhar.
Estou entre cá e lá. Porque também tenho saudades das saídas e dos táxis, de estudar coisas novas, de escrever, de pesquisar. De trabalhar.
sábado, maio 31, 2008
Um mês e 12 dias
Cuidar 24 horas por dia de uma coisa pequenina que já fez 1 mês e 12 dias é viver noutra dimensão. O aumento do preço dos combustíveis afecta-me na mesma, claro, mas não há nada que me tire desta rotina, deste novo relógio que rege todos os segundinhos da minha existência como mãe. As finanças continuam a chatear-me pela falta de consideração (deviam perdoar as pessoas que se esquecem de entregar determinados papéis, mas não. Passar multas é com eles!), o meu corpo está longe de ter voltado ao normal e é óbvio que dormir aos blocos de três e quatro horas às vezes dá cabo do cérebro. Mas no fundo, não sei como, estou programada para isto.
Li em qualquer sítio que aquela coisa da maternidade nasce automaticamente quando o bebé chega e na altura achei exagero. Mas a verdade é que há qualquer coisa que muda. Aliás, muda tudo. Aquilo que sou como pessoa, que era, também mudou. Ser mãe é ver o mundo de outro prisma.
Li em qualquer sítio que aquela coisa da maternidade nasce automaticamente quando o bebé chega e na altura achei exagero. Mas a verdade é que há qualquer coisa que muda. Aliás, muda tudo. Aquilo que sou como pessoa, que era, também mudou. Ser mãe é ver o mundo de outro prisma.
quarta-feira, maio 21, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
3:33
Choraste. Abriste os olhos. Senti o teu calor na minha cara apesar do frio do bloco operatório. Senti que eras meu, que nada nos ia separar, que estavas mesmo aqui ao pé de mim, de nós. Senti o teu cheiro, escassos segundos depois de nasceres. E soube, nesse instante, que já te conhecia.
terça-feira, abril 15, 2008
O que não nos dizem
... Ou o que eu não sabia antes de engravidar:
- os ossos da zona pélvica doem imenso, ao ponto de não conseguirmos andar direitas
- as mãos podem ficar dormentes a noite toda e não há posição que melhore isso
- podemos comer camarão à vontade
- por mais ecografias que se façam, há sempre 10 por cento de hipótese do peso do bebé não corresponder à verdade
- as ecografias 3D são uma treta em termos científicos (fornecem os mesmos dados que as outras) e só servem para fazer gastar dinheiro aos pais
- a azia pode ser incontrolável, sobretudo durante a noite. Acordar com vómito na boca não é agradável, pois não?!
- suamos que nem umas porquinhas, temos um calor infernal e só de olhar para os outros com casacos de malha polar faz impressão
- No final da gravidez e com a barriga grande, já ninguém faz um olhar ternurento a olhar para a grávida. A partir aí das 37 semanas a expressão na cara dos outros é: "jesuuusssss".
- todos nos preparam para o rebentar das águas, a chegada das contracções. Não nos dizem que há casos em que isso nunca chega a acontecer. Tipo, o meu caso.
- os ossos da zona pélvica doem imenso, ao ponto de não conseguirmos andar direitas
- as mãos podem ficar dormentes a noite toda e não há posição que melhore isso
- podemos comer camarão à vontade
- por mais ecografias que se façam, há sempre 10 por cento de hipótese do peso do bebé não corresponder à verdade
- as ecografias 3D são uma treta em termos científicos (fornecem os mesmos dados que as outras) e só servem para fazer gastar dinheiro aos pais
- a azia pode ser incontrolável, sobretudo durante a noite. Acordar com vómito na boca não é agradável, pois não?!
- suamos que nem umas porquinhas, temos um calor infernal e só de olhar para os outros com casacos de malha polar faz impressão
- No final da gravidez e com a barriga grande, já ninguém faz um olhar ternurento a olhar para a grávida. A partir aí das 37 semanas a expressão na cara dos outros é: "jesuuusssss".
- todos nos preparam para o rebentar das águas, a chegada das contracções. Não nos dizem que há casos em que isso nunca chega a acontecer. Tipo, o meu caso.
segunda-feira, abril 14, 2008
quinta-feira, abril 03, 2008
E ainda nada
Pronto, isto de estar à espera de sinais é um bocado stressante. Não acontece nada e, pelos vistos, ainda está tudo muito tranquilo aqui na minha barriga, para além das mexidelas e barulhinhos que vêm de lá. Ontem fui ao centro comercial mas quis fugir rapidamente. Não é que uma mulher se virou para o marido e, ao olhar para mim, comentou: "Que grande pança!"?!...
Será pecado sair à rua com 38 semanas e cinco dias?
Será pecado sair à rua com 38 semanas e cinco dias?
domingo, março 30, 2008
terça-feira, março 25, 2008
domingo, março 16, 2008
Uma hora pequenina
À medida que o tempo avança, a interacção com os outros muda. Nos primeiros meses, são as dicas para ultrapassar os enjoos - um mar de gente a aconselhar ter uma bolacha na mesa de cabeceira para comer antes de deitar e não passar fome durante a noite. Depois, seguem-se os palpites sobre o sexo. A barriga empinada para a frente é rapaz, uma barriga "espalhada" é rapariga.
O segundo trimestre é fantástico. As pessoas começam a querer tocar na barriga, invadindo mesmo sem querer um espaço intímo. Talvez o mais intimo que uma mulher possa ter. Eu também gosto de tocar nas barrigas das grávidas, mas hoje tenho pudor em fazê-lo. Acho que é porque não gosto que toquem na minha.
Nesta fase, em que a barriga ocupa espaço, não há melhor momento do que ter o pai a sussurrar coisas para dentro do ventre. A falar com um bebé que só conhecemos das ecografias e dos movimentos que faz dentro da sua casa apertadinha. Ou os avós que o cumprimentam sempre antes de dizer olá à grávida :)
No último trimestre, começam os desejos de "uma hora pequenina". No supermercado, na farmácia, em todo o lado, todas as mulheres - e mesmo homens - formulam esse desejo. Mas eu aprendi que ter horas pequeninas não é bom. É como se todas as dores que é suposto sentir para o corpo se preparar para o nascimento do bebé se juntassem em catadupa. Por isso eu só quero ter uma hora normal. Um parto normal, um bebé normal, um momento normal, igual às estatísticas, na média. Normal.
O segundo trimestre é fantástico. As pessoas começam a querer tocar na barriga, invadindo mesmo sem querer um espaço intímo. Talvez o mais intimo que uma mulher possa ter. Eu também gosto de tocar nas barrigas das grávidas, mas hoje tenho pudor em fazê-lo. Acho que é porque não gosto que toquem na minha.
Nesta fase, em que a barriga ocupa espaço, não há melhor momento do que ter o pai a sussurrar coisas para dentro do ventre. A falar com um bebé que só conhecemos das ecografias e dos movimentos que faz dentro da sua casa apertadinha. Ou os avós que o cumprimentam sempre antes de dizer olá à grávida :)
No último trimestre, começam os desejos de "uma hora pequenina". No supermercado, na farmácia, em todo o lado, todas as mulheres - e mesmo homens - formulam esse desejo. Mas eu aprendi que ter horas pequeninas não é bom. É como se todas as dores que é suposto sentir para o corpo se preparar para o nascimento do bebé se juntassem em catadupa. Por isso eu só quero ter uma hora normal. Um parto normal, um bebé normal, um momento normal, igual às estatísticas, na média. Normal.
terça-feira, março 11, 2008
Quando eu nasci...
... o single que estava em primeiro lugar dos tops de música era: "You're The One That I Want", John Travolta & Olivia Newton John. O álbum era a banda sonora do "Saturday Night Fever".
http://www.everyhit.com/dates/thisdate.php
http://www.everyhit.com/dates/thisdate.php
Tempo de descansar
Começou a contagem decrescente. Há um mês faltavam dois meses. Hoje faltam quatro semanas. Altura para descansar.
quinta-feira, março 06, 2008
Esta barriga redonda...
... é minha. Mas ainda tenho medo que não seja. Tipo, um sonho. Por outro lado, aprendi a festejar as coisas quando as tenho na mão. Mesmo que me sinta mais feliz do que nunca, só quando o tiver aqui junto a mim vou mesmo acreditar que isto me aconteceu. E só aí aceitar o pequeno milagre. Mesmo que às escondidas eu festeje todos os dias os pontapés e as mexidelas enérgicas que acontecem no meu ventre.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Gramas e quilos
Há pesos e medidas para avaliar. E os valores médios dão-nos sempre a comparação inevitável e necessária para perceber se estamos no caminho certo. Devia existir uma tabela assim, com valores de referência, para nos ajudar a avaliar os nossos actos e os dos outros e perceber porque é que, por vezes, andamos tão longe dos valores de referência e, outras, tão perto dos números máximos.
A relação com os outros é um dos maiores desafios humanos.
A relação com os outros é um dos maiores desafios humanos.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
As doenças
Estar doente é uma chatice. Deixamos de ser úteis. Passamos a ser aquele com quem não se pode contar, que não está a acompanhar a carruagem, que está mas não está. De quem se pensa, mas com quem não se conta. Estar doente é um incómodo para as rotinas, para as exigências.
Acho que quando estamos doentes não somos bem tratados. Já não vamos ao cinema, já não somos convidados para jantares, já não nada. Porque estamos doentes.
Isto não vem a propósito de nada. Mas é uma coisa que já me andava a circular na cabeça há algum tempo.
Acho que quando estamos doentes não somos bem tratados. Já não vamos ao cinema, já não somos convidados para jantares, já não nada. Porque estamos doentes.
Isto não vem a propósito de nada. Mas é uma coisa que já me andava a circular na cabeça há algum tempo.
sábado, dezembro 29, 2007
A poucos dias de 2008
O meu 2007 foi mesmo bom. Bom de verdade. Sempre que comia as 12 passas (quase sem respirar para não sentir o sabor) pedia as mesmas coisas. E este ano tive-as todas. Excepto, claro, o euromilhões. Mas já todos sabemos que o dinheiro não traz felicidade.
O que me faz tremer são outras coisas. O som mais fantástico que ouvi este ano foi um pumpum forte a bater dentro da minha barriga. Depois de meses de escuta atenta, de análise mútua, já sinto o meu bebé quase em pleno. Conheço um pouquinho da sua personalidade, falo como ele e sei que ele me ouve.
As passas que comi por tradição trouxeram-me novos rumos profissionais. Desafios tão exigentes,estes... E, sobretudo, a certeza de que tudo é possível. Que nada se faz e acontece sem esforço e dedicação. Que o tempo, o destino, sei lá, Deus encontra formas de nos por no caminho as coisas quando têm de ser.
E há mais de dez anos também me pôs uma pessoa no caminho. E é tão bom que até dói. Se 2008 tiver um quarto de tudo isto, vou continuar a ser feliz.
O que me faz tremer são outras coisas. O som mais fantástico que ouvi este ano foi um pumpum forte a bater dentro da minha barriga. Depois de meses de escuta atenta, de análise mútua, já sinto o meu bebé quase em pleno. Conheço um pouquinho da sua personalidade, falo como ele e sei que ele me ouve.
As passas que comi por tradição trouxeram-me novos rumos profissionais. Desafios tão exigentes,estes... E, sobretudo, a certeza de que tudo é possível. Que nada se faz e acontece sem esforço e dedicação. Que o tempo, o destino, sei lá, Deus encontra formas de nos por no caminho as coisas quando têm de ser.
E há mais de dez anos também me pôs uma pessoa no caminho. E é tão bom que até dói. Se 2008 tiver um quarto de tudo isto, vou continuar a ser feliz.
quarta-feira, setembro 05, 2007
A minha cidade
You Belong in Amsterdam |
![]() A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam. Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city). |
sábado, março 31, 2007
Os sacos de papel
As mulheres devem ter uma fixação qualquer com sacos de papel. Daqueles que nos dão nas lojas quando compramos roupa. Nos transportes públicos não há mulher que não carregue todos os dias, santos ou não, o raio do saco de papel. Há umas que insistem em levar o mesmo saco todos os dias totalmente enrugado, gasto pelo manuseamento, com mau aspecto. O que é que transportam? A comida para o almoço? A revista para ler no metro? Outros sacos?
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Chegar aqui
Estive aqui a reler post antigos e percebi que desejei tanto o que me está a acontecer que, hoje, não consigo deixar de ter medo do que aí vem. Quando as expectativas, esperanças e desilusões são grandes, chegar ao ponto de partida que sonhámos anos a fio pode ser tenebroso... A minha natural (?) tendência para dramatizar impede-me, às vezes, de celebrar a sério este momento fantástico. E não é que depois de sair, voltei?!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Faz tudo
Depois de muita reflexão, comprámos a famosa Bimby. Já a tenho há três dias e ainda não peguei num tacho. A tecnologia serve para isto mesmo, não?
sábado, dezembro 02, 2006
Ocupação

Ocupar uma casa é um processo gradual. A primeira noite em que se estreia o quarto, as casas de banho, a sala, a cozinha, vamos ganhando espaço, conquistando as paredes, puxando tudo para nós. As molduras com fotos, o quadro que comprámos num sitio especial, as prendas dos amigos, os lençóis novos que a mãe ofereceu, contribuem para fazer de uma casa vazia um "lar".
Ainda estou no processo de completa paixoneta pela minha nova casa. Estou a conquistá-la aos poucos e a ocupar com jeitinho todos os cantos.
quarta-feira, novembro 22, 2006
Em trânsito
Desde segunda-feira que deixei oficiamente de ser jornalista. Foram cinco anos de muito entusiasmo, stress, angústia, alegria, sofrimento, inquietude. Sobretudo, ricos em experiências. Hoje sou o que sou porque fui jornalista. Nunca teria saído do casulo se não fosse a profissão obrigar-me a soltar a garganta. A minha timidez, a exagerada emotividade, a insegurança, foram ultrapassadas em inúmeras ocasiões, desafios que superei sempre surpreendida comigo mesma. Saio deste período da minha vida com expectativa. Ainda não tenho saudades, porque a verdade é que aquilo que dei ainda não me veio devolvido. Ou talvez seja esta mudança a grande recompensa de nunca ter desistido do sonho.
Quis ser jornalista porque queria fazer a diferança. Seguir aquela ilusão adolescente de combater as injustiças através da denúncia. Enfim, fiz isso algumas vezes. Posso dizer que toquei na vida de pessoas anónimas, lhes dei esperança, lhes ouvi as histórias e desabafos. Mas também dei voz a outras que nem sempre tinham coisas, de facto, importantes para dizer. Quando o trabalho se torna mecânico é hora de parar. E foi assim que procurei outras coisas. Vou para o outro lado da barricada. Há dez anos atrás, consideraria isso uma traição. Hoje não sou tão radical.
Quis ser jornalista porque queria fazer a diferança. Seguir aquela ilusão adolescente de combater as injustiças através da denúncia. Enfim, fiz isso algumas vezes. Posso dizer que toquei na vida de pessoas anónimas, lhes dei esperança, lhes ouvi as histórias e desabafos. Mas também dei voz a outras que nem sempre tinham coisas, de facto, importantes para dizer. Quando o trabalho se torna mecânico é hora de parar. E foi assim que procurei outras coisas. Vou para o outro lado da barricada. Há dez anos atrás, consideraria isso uma traição. Hoje não sou tão radical.
quinta-feira, outubro 26, 2006
terça-feira, outubro 17, 2006
Teresa Jesus
Tenho mais de um século de vida. Nas minhas rugas estão as minhas lutas. Sempre trabalhei. A minha infância foi passada numa fábrica que tinha milhares de trabalhadores, a mexer em cortiça. Casei tarde, aos 28 anos, com um corticeiro chamado Baltasar. Tive um filho e hoje encosto-me a este portão e recordo com saudade esta casinha, onde trabalhei durante 55 anos. Gosto de mexer na fechadura e imaginar que subo as escadas em direcção à sala onde, aos 10 anos, tirava as aparas das rolhas. Tenho 101, mas as forças para andar não me abandonaram. Estou lúcida. E tenho muitos amigos.
segunda-feira, outubro 16, 2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
Garagem
É o mito do empreendedorismo. Num espaço rectangular, sem luz e sem piada nenhuma nascem ideias milionárias, como a do You Tube ou do Google. Se calhar, o que falta em Portugal são apenas garagens. Talvez não as haja em quantidade suficiente.
sexta-feira, outubro 06, 2006
O Homem Almofada
Vou ao teatro de tempos a tempos. Tenho sempre vontade de ir, mas lembro-me sempre das desilusões que já apanhei e das secas bolorentas que vivi naquelas cadeiras duras. Mas ontem, depois de ver The Pillowman, escrito por Martin McDonagh e encenado por Tiago Guedes, pensei tanto nas histórias que li quando era criança que só por isso já valeu a pena. Escrever é uma responsabilidade enorme e quem utiliza as palavras como ganha pão, depressa se esquece das consequências invisiveis que provoca.
Mudar
Quando tomamos decisões, provocamos coisas nos outros, mesmo que só a nós nos digam respeito. Não é fácil fazer passar mensagens ou mostrar aos que nos rodeiam que não estamos assim tão satisfeitos com a nossa vidinha. Apesar das gargalhadas e da boa disposição, é normal querermos mudar. O mais interessante nisto tudo, é perceber a imagem que reflectimos no espelho, a opinião que os outros têm de nós. Com decisões, baralhamos a estabilidade, a rotina, as verdades que não se mudam e, por isso, se tomam por garantidas. Quando decidimos mudar, mudamos também os outros.
terça-feira, outubro 03, 2006
Encantamento
Quando nos mudamos para um sítio novo, há sempre uma fase de encantamento. Olhamos as ruas de forma diferente, observamos as pessoas com curiosidade genuína, imaginamos e traçamos planos ambiciosos para as tardes de domingo. Depois, quando a novidade passa, começamos a entrar numa rotina contínua, deixando cair por terra alguns dos objectivos iniciais. Passamos a encarar o novo espaço como habitual, os percursos diários tornam-se monótonos e até os pequenos detalhes deixam de ter tanta importância. Não seria magnífico podermos preservar o primeiro olhar, todos os dias? Ver sempre o essencial, aquilo que é "invisível aos olhos", como se lê no Principezinho... Porque é que perdemos o encanto da novidade?
terça-feira, setembro 26, 2006
Ligações

Será estranho não sentir qualquer melancolia ou pena ao abandonar uma casa onde vivi durante dois anos? É pouco tempo, mas é no nosso habitat que passamos o nosso tempo, que rimos e choramos. Ao ver as paredes sem quadros, a ausência de tapetes e os pregos inestéticos espetados por todo o lado, não me ocorre nenhum pensamento de saudade. Estou, até, aliviada por finalmente ver o desfecho desta novela. Não vou ter saudades. Nem do campo. Nem das ovelhas.
sexta-feira, setembro 22, 2006
Café
Gosto de entrar num café em Lisboa e de ouvir os clientes a serem tratados pelo nome. Gosto da familiaridade que não exagera, que não é intrometida, que é educada e sensível. Gosto do cheiro de casas antigas, cheias de recordações e momentos perdidos. Gosto de passear nas ruas estreitas, de subir as calçadas e ouvir o som dos meus sapatos nas pedras. Tac, tac, tac.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Espiritualidade
Este fim de semana estive num café que tem uma capela. É o primeiro em Portugal e copia uma ideia do Canadá, da década de 70. Enquanto se bebe um bica e se pede uma tosta mista, reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria. A mistura até parece estranha, mas diz quem arrancou com o projecto que o objectivo é agarrar todos os que se sentem afastados da Igreja.Eu até gostava de me sentir mais próxima porque acreditar numa coisa que nos supera, que nos guia, é muito confortável quando a vida anda meio desnorteada. Sentir que estamos sozinhos no universo e que só servimos para nascer e morrer deixa-nos angustiados e, por isso, acreditar em Deus é uma espécie de bálsamo. Mas é difícil abraçar esta causa quando a visão que nos passam é limitada por muitas barreiras e fronteiras.
O café até podia ser um espaço de encontro livre com Deus ou com a fé de cada um, mas como sempre, há a tendência de limitar a liberdade religiosa a uma única verdade. Uma boa oportunidade seria, sim, um café verdadeiramente espiritual, onde pudéssemos reflectir, meditar, conversar sem censuras sobre o mundo que nos rodeia. Bebendo uma chávena de chá.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Coisas normais
Será normal uma auto-estrada ter tampas de esgoto de dois em dois metros na faixa da direita que, por sinal, foi acabadinha de fazer graças a um alargamento das vias?
terça-feira, setembro 12, 2006
segunda-feira, setembro 11, 2006
Mudar paradigmas
Acertar é humano. O ser humano ou acerta, ou aprende, não erra.
(Leila Navarro, oradora brasileira)
sábado, setembro 09, 2006
Arrumações I
Metade da minha sala já parece vazia. Arrumámos livros, molduras, velas e foi o suficiente para já sentir que a casa vai deixar de ser minha aos poucos. Ontem tivemos o último jantar com amigos aqui no PN e foi muito bom! Daqui a um mês será o primeiro na casa nova.
sexta-feira, setembro 08, 2006
Mudanças II
Ontem disseram-me que na minha vida as coisas mudam muito depressa. Hoje é uma coisa e amanhã outra. Ponho-me a pensar e chego à conclusão que a única coisa que muda são os acessórios. Muda o trabalho constantemente, os textos, os acontecimentos, os cenários, mas o essencial mantém-se sempre firme. Apesar de todos os solavancos que tenho tido, não acho que a minha vida mude muito depressa. Tenho tendência até para achar que, neste momento, precisava mesmo de uma mudança séria de ambiente. Mudar de casa vem mesmo a calhar. E a ideia de ter um percurso direitinho e uma rotina esmagadora também não combina com a minha insatisfação permanente.Ainda bem que posso escolher mudar as coisas e não ficar presa ao que os outros consideram ser "o caminho certo". Se calhar é por isso que dou muito valor a quem me dá valor. E esses estão sempre aqui para o que der o vier. Sim, a minha vida hoje é diferente da de há um mês atrás.
E depois?
quarta-feira, setembro 06, 2006
Mudanças
Parece que é desta que vou deixar o campo. Depois de muitos meses de grandes avanços e recuos, a escritura deve acontecer este mês! Vamos deixar os passeios à noite pela vila, os pastéis de nata quentinhos, o cheiro a vaca aos sábados de manhã (esta parte é boa!) e a calma que contamina todos os empregados das lojas de comércio local. Acho que nunca nos integrámos muito bem neste ritmo próprio do PN. Estamos habituados ao stress, a ser atendidos com prontidão. Mas também vamos perder coisas boas. Por exemplo, sentar numa mesa ocupada por um velhote (por não existirem mais livres) e tomar o pequeno almoço a ouvir a sua história.
Vamos mudar-nos para uma cidade nos subúrbios da capital, mas continuamos na margem esquerda do rio.
Vamos mudar-nos para uma cidade nos subúrbios da capital, mas continuamos na margem esquerda do rio.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Energia
Realmente não fui feita para ter muito tempo. Sempre que tenho coisas para fazer com prazos do tipo duas semanas ou um mês ando a arrastar-me pela casa, sempre a pensar que ainda falta muito. A melhor parte é quando o prazo começa a apertar e eu sinto aquela dorzita de barriga a dar o alerta. Fora as noites agitadas a fazer checklists mentais e dias como o de hoje em que me doem os dedos de tanto escrever... o que eu gosto é mesmo de uns bons momentos de stress! É quando produzo mais, tenho mais ideias, sou muito mais competente.
Já agora, para quem é fanático das listinhas para tudo encontrei este site http://www.checklists.com/ que apesar de ser horrível graficamente pode ser útil.
Já agora, para quem é fanático das listinhas para tudo encontrei este site http://www.checklists.com/ que apesar de ser horrível graficamente pode ser útil.
terça-feira, agosto 29, 2006
Construir
Acho fantástico as pessoas que têm força para construir coisas. Deixar marca no que fazem, fazer nascer associações, criar uma empresa, dar vida a um projecto. Não ficar parado à espera que a chuva caia no mar é uma virtude.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Hoje vi pessoas a chorar porque trabalham a 200%, dão o litro, o corpo e a alma a um projecto e nunca são recompensadas. Vi um jovem a ouvir conselhos de um velho no banco do jardim que lhe dizia que é preciso acreditar em Deus para levar melhor a vida. Na estação, vi um idoso a ler o horário dos comboios com uma lupa, apesar dos óculos de lentes grossas que trazia (será que custa pôr as letras maiores?!). Ouvi propostas salariais chocantes. Abaixo do limiar da pobreza. Que eu não faria nem sequer à querida D. Ana que me vem limpar a casa. Hoje vi.
quarta-feira, agosto 23, 2006
100%
Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
É o meu preferido de Ricardo Reis (Fernando Pessoa) e senti arrepios quando o vi cravado na lápide do poeta no Mosteiro dos Jerónimos. Uma coincidência boa.
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
É o meu preferido de Ricardo Reis (Fernando Pessoa) e senti arrepios quando o vi cravado na lápide do poeta no Mosteiro dos Jerónimos. Uma coincidência boa.
sexta-feira, agosto 11, 2006
quinta-feira, agosto 10, 2006
Fim dos queixumes
Refeita do susto, já tracei um plano para os próximos tempos. Não vale a pena estar a lamentar-me do azar que me persegue. É um facto que quase todos os trabalhos que tive acabaram por ter de fechar portas por motivos financeiros... será que tenho um karma qualquer estranho??
Enfim, neste momento é mesmo "rir para não chorar". E vou de férias. E estou quase quase a vender a minha casa. E sou uma pessoa feliz. Estou rodeada de pessoas boas. E tenho ao meu lado a melhor delas todas. Não dá para me queixar.
Enfim, neste momento é mesmo "rir para não chorar". E vou de férias. E estou quase quase a vender a minha casa. E sou uma pessoa feliz. Estou rodeada de pessoas boas. E tenho ao meu lado a melhor delas todas. Não dá para me queixar.
terça-feira, agosto 08, 2006
Intuição
Quando escrevi o último post estava longe de imaginar que hoje tinha de voltar a procurar trabalho. Desta vez, estava a começar a desfrutar da estabilidade e a verdade é que a vida profissional era, neste momento, a última das minhas preocupações. Nunca fui boa a fazer premonições ou a seguir a minha intuição.
quarta-feira, agosto 02, 2006
Probabilidades
Fiz 28 anos há pouco tempo e ofereceram-me um livro. Na dedicatória escreveram, entre outras coisas, que "a vida é que o que fazemos dela". Passei os dias seguintes a pensar nesta frase cliché e cheguei à conclusão que, sim, que a vida está nas nossas mãos, somos nós que escolhemos o caminho. Mas não está na totalidade. As nossas escolhas são feitas com base no que nos acontece, na nossa "fatalidade", destino, sei lá. Eu não escolhi estar quatro anos a lutar por um emprego. Nem ter de lidar com as novidades menos boas que nos aconteceram nesta semana. O que posso fazer é reagir, tentar contornar os obstáculos e chegar a alguma conclusão. Mesmo que seja má.
Mando na minha vida só quando tento resolver os problemas que aparecem e, aí, defino o futuro, faço girar a roda das probabilidades.
Mando na minha vida só quando tento resolver os problemas que aparecem e, aí, defino o futuro, faço girar a roda das probabilidades.
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