quarta-feira, agosto 20, 2008

É bom

Saber falar outras línguas, conhecer pessoas de outros países, partilhar experiências e abraçar amigos. Há telefonemas que nos deixam felizes.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Baby Blues

Filosofia de ponta

Um dos desafios da maternidade/paternidade é conseguir fazer gracinhas a um bebé que chora desalmadamente há meia hora só porque não quer dormir.

sexta-feira, agosto 08, 2008

No campo















































terça-feira, agosto 05, 2008

Impotência

É ver uma tia abrir um pacote de bolachas com açúcar, dar a provar ao G. e vê-lo a lamber a dita com satisfação. E eu que só queria apresentar-lhe o açúcar lá para os 12 meses... Uma distracção e somos ultrapassadas num ápice.

quinta-feira, julho 24, 2008

Ainda mais perto dos 30

Saí para jantar fora e só depois de estar no carro e a meio do caminho é que reparei que tinha as calças sujas. Calças brancas. Estou definitivamente a entrar nos 30. E a começar a ter "mommy brain".

terça-feira, julho 22, 2008

Amamentar

Amamentar é bom. Nem vou falar dos benefícios para os bebés e para as mães. Mas também é mau. É solitário, dói, faz feridas, infecções, desgasta. A minha experiência tem sido tão instável como o temperamento de uma mulher que acabou de dar à luz. Ora excelente. Ora doloroso. Ora hilariante. Ora depressivo. Três meses depois ainda me perseguem as mastites. Mas o leite materno é tão bom tão bom que vale a pena o esforço. (cá no fundinho grito: "Só faltam dois meses para fazer a transição para as sopas!! YUPIII!!!)

sábado, julho 19, 2008

Obrigada


Pela maravilhosa receita que tem refrescado os nossos sábados. Hoje fiz a versão com banana congelada, iogurte, mel e canela. Uma delícia. Só faltou a menta para refrescar. No sábado passado foram os pêssegos. E como não tinha o licor que vem na receita original, utilizei moscatel roxo. Aprovado!

sexta-feira, julho 18, 2008

Crescer deve doer

Já não me lembro se tive dores de crescimento naquela fase da pré-adolescência, mas crescer deve custar muito. O G. estica as mãos com esforço para alcançar os objectos, concentra-se ao máximo, olha fixamente enquanto o braço abana até chegar ao brinquedo que eu seguro vezes em conta no ar. No dia em que olhou pela primeira vez para as mãos percebi que todos os passos pequenos que ele dá diariamente são o resultado de um esforço enorme de coordenação. Não são mesmo conquistas pequenas.
A minha mãe diz-me que o primeiro mês de vida de um bebé deve ser mais comemorado do que o primeiro ano. Porque conseguir passar por todas as mudanças desde que se sai do útero da mãe é uma vitória.

terça-feira, julho 15, 2008

Perto dos 30

Parece uma fronteira. Há uma indecisão. Continuo a ser jovem ou já sou adulta? Tenho de me vestir à mãe? Devo largar definitivamente as calças de ganga? Fazer madeixas no cabelo?

Vou fazer madeixas. Mas as calças de ganga ficam. A não ser que já não caiba no 38 que tenho nos cabides. Aos 30 estou com as ancas mais largas.

terça-feira, julho 08, 2008

Mudanças

Vejo tudo mais claro
Mais branco
Mais límpido
Menos negro
Mais feliz
Hoje sou mais eu do que ontem

quarta-feira, julho 02, 2008

Entre cá e lá

Esta vida é tão boa que quando acabar vai ser difícil regressar ao trabalho. Apesar dos dias em que as birras se prolongam, há sempre dias bons a seguir recheados de sorrisos e descobertas. Apesar de alguma solidão que as mães enfrentam quando cuidam 24 horas por dia de um bebé, saber que ele está a dois passos de nós dá-nos uma tranquilidade imensa. Quando tiver que voltar a enfrentar o computador, o telefone, as saídas, os táxis, vou estar sempre a pensar nos sorrisos que estou a perder, nas novas aventuras, nos detalhes que não vi.
Estou entre cá e lá. Porque também tenho saudades das saídas e dos táxis, de estudar coisas novas, de escrever, de pesquisar. De trabalhar.

sábado, maio 31, 2008

Um mês e 12 dias

Cuidar 24 horas por dia de uma coisa pequenina que já fez 1 mês e 12 dias é viver noutra dimensão. O aumento do preço dos combustíveis afecta-me na mesma, claro, mas não há nada que me tire desta rotina, deste novo relógio que rege todos os segundinhos da minha existência como mãe. As finanças continuam a chatear-me pela falta de consideração (deviam perdoar as pessoas que se esquecem de entregar determinados papéis, mas não. Passar multas é com eles!), o meu corpo está longe de ter voltado ao normal e é óbvio que dormir aos blocos de três e quatro horas às vezes dá cabo do cérebro. Mas no fundo, não sei como, estou programada para isto.
Li em qualquer sítio que aquela coisa da maternidade nasce automaticamente quando o bebé chega e na altura achei exagero. Mas a verdade é que há qualquer coisa que muda. Aliás, muda tudo. Aquilo que sou como pessoa, que era, também mudou. Ser mãe é ver o mundo de outro prisma.

quarta-feira, maio 21, 2008

Mãos que querem ver

terça-feira, abril 29, 2008

3:33

Choraste. Abriste os olhos. Senti o teu calor na minha cara apesar do frio do bloco operatório. Senti que eras meu, que nada nos ia separar, que estavas mesmo aqui ao pé de mim, de nós. Senti o teu cheiro, escassos segundos depois de nasceres. E soube, nesse instante, que já te conhecia.

terça-feira, abril 15, 2008

O que não nos dizem

... Ou o que eu não sabia antes de engravidar:

- os ossos da zona pélvica doem imenso, ao ponto de não conseguirmos andar direitas
- as mãos podem ficar dormentes a noite toda e não há posição que melhore isso
- podemos comer camarão à vontade
- por mais ecografias que se façam, há sempre 10 por cento de hipótese do peso do bebé não corresponder à verdade
- as ecografias 3D são uma treta em termos científicos (fornecem os mesmos dados que as outras) e só servem para fazer gastar dinheiro aos pais
- a azia pode ser incontrolável, sobretudo durante a noite. Acordar com vómito na boca não é agradável, pois não?!
- suamos que nem umas porquinhas, temos um calor infernal e só de olhar para os outros com casacos de malha polar faz impressão
- No final da gravidez e com a barriga grande, já ninguém faz um olhar ternurento a olhar para a grávida. A partir aí das 37 semanas a expressão na cara dos outros é: "jesuuusssss".
- todos nos preparam para o rebentar das águas, a chegada das contracções. Não nos dizem que há casos em que isso nunca chega a acontecer. Tipo, o meu caso.

segunda-feira, abril 14, 2008

40 semanas e um dia

Daqui a uma semana ele já está aqui. Pelo menos esta certeza eu tenho.

quinta-feira, abril 03, 2008

E ainda nada

Pronto, isto de estar à espera de sinais é um bocado stressante. Não acontece nada e, pelos vistos, ainda está tudo muito tranquilo aqui na minha barriga, para além das mexidelas e barulhinhos que vêm de lá. Ontem fui ao centro comercial mas quis fugir rapidamente. Não é que uma mulher se virou para o marido e, ao olhar para mim, comentou: "Que grande pança!"?!...
Será pecado sair à rua com 38 semanas e cinco dias?

domingo, março 30, 2008

Chegámos...

às 38. Medo.

terça-feira, março 25, 2008

Ehehehehehe

domingo, março 16, 2008

Uma hora pequenina

À medida que o tempo avança, a interacção com os outros muda. Nos primeiros meses, são as dicas para ultrapassar os enjoos - um mar de gente a aconselhar ter uma bolacha na mesa de cabeceira para comer antes de deitar e não passar fome durante a noite. Depois, seguem-se os palpites sobre o sexo. A barriga empinada para a frente é rapaz, uma barriga "espalhada" é rapariga.
O segundo trimestre é fantástico. As pessoas começam a querer tocar na barriga, invadindo mesmo sem querer um espaço intímo. Talvez o mais intimo que uma mulher possa ter. Eu também gosto de tocar nas barrigas das grávidas, mas hoje tenho pudor em fazê-lo. Acho que é porque não gosto que toquem na minha.
Nesta fase, em que a barriga ocupa espaço, não há melhor momento do que ter o pai a sussurrar coisas para dentro do ventre. A falar com um bebé que só conhecemos das ecografias e dos movimentos que faz dentro da sua casa apertadinha. Ou os avós que o cumprimentam sempre antes de dizer olá à grávida :)
No último trimestre, começam os desejos de "uma hora pequenina". No supermercado, na farmácia, em todo o lado, todas as mulheres - e mesmo homens - formulam esse desejo. Mas eu aprendi que ter horas pequeninas não é bom. É como se todas as dores que é suposto sentir para o corpo se preparar para o nascimento do bebé se juntassem em catadupa. Por isso eu só quero ter uma hora normal. Um parto normal, um bebé normal, um momento normal, igual às estatísticas, na média. Normal.

terça-feira, março 11, 2008

Quando eu nasci...

... o single que estava em primeiro lugar dos tops de música era: "You're The One That I Want", John Travolta & Olivia Newton John. O álbum era a banda sonora do "Saturday Night Fever".
http://www.everyhit.com/dates/thisdate.php

Tempo de descansar

Começou a contagem decrescente. Há um mês faltavam dois meses. Hoje faltam quatro semanas. Altura para descansar.

quinta-feira, março 06, 2008

Esta barriga redonda...

... é minha. Mas ainda tenho medo que não seja. Tipo, um sonho. Por outro lado, aprendi a festejar as coisas quando as tenho na mão. Mesmo que me sinta mais feliz do que nunca, só quando o tiver aqui junto a mim vou mesmo acreditar que isto me aconteceu. E só aí aceitar o pequeno milagre. Mesmo que às escondidas eu festeje todos os dias os pontapés e as mexidelas enérgicas que acontecem no meu ventre.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Gramas e quilos

Há pesos e medidas para avaliar. E os valores médios dão-nos sempre a comparação inevitável e necessária para perceber se estamos no caminho certo. Devia existir uma tabela assim, com valores de referência, para nos ajudar a avaliar os nossos actos e os dos outros e perceber porque é que, por vezes, andamos tão longe dos valores de referência e, outras, tão perto dos números máximos.
A relação com os outros é um dos maiores desafios humanos.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

As doenças

Estar doente é uma chatice. Deixamos de ser úteis. Passamos a ser aquele com quem não se pode contar, que não está a acompanhar a carruagem, que está mas não está. De quem se pensa, mas com quem não se conta. Estar doente é um incómodo para as rotinas, para as exigências.
Acho que quando estamos doentes não somos bem tratados. Já não vamos ao cinema, já não somos convidados para jantares, já não nada. Porque estamos doentes.
Isto não vem a propósito de nada. Mas é uma coisa que já me andava a circular na cabeça há algum tempo.

sábado, dezembro 29, 2007

A poucos dias de 2008

O meu 2007 foi mesmo bom. Bom de verdade. Sempre que comia as 12 passas (quase sem respirar para não sentir o sabor) pedia as mesmas coisas. E este ano tive-as todas. Excepto, claro, o euromilhões. Mas já todos sabemos que o dinheiro não traz felicidade.
O que me faz tremer são outras coisas. O som mais fantástico que ouvi este ano foi um pumpum forte a bater dentro da minha barriga. Depois de meses de escuta atenta, de análise mútua, já sinto o meu bebé quase em pleno. Conheço um pouquinho da sua personalidade, falo como ele e sei que ele me ouve.
As passas que comi por tradição trouxeram-me novos rumos profissionais. Desafios tão exigentes,estes... E, sobretudo, a certeza de que tudo é possível. Que nada se faz e acontece sem esforço e dedicação. Que o tempo, o destino, sei lá, Deus encontra formas de nos por no caminho as coisas quando têm de ser.
E há mais de dez anos também me pôs uma pessoa no caminho. E é tão bom que até dói. Se 2008 tiver um quarto de tudo isto, vou continuar a ser feliz.

quarta-feira, setembro 05, 2007

A minha cidade




You Belong in Amsterdam



A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.

Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).

sábado, março 31, 2007

Os sacos de papel

As mulheres devem ter uma fixação qualquer com sacos de papel. Daqueles que nos dão nas lojas quando compramos roupa. Nos transportes públicos não há mulher que não carregue todos os dias, santos ou não, o raio do saco de papel. Há umas que insistem em levar o mesmo saco todos os dias totalmente enrugado, gasto pelo manuseamento, com mau aspecto. O que é que transportam? A comida para o almoço? A revista para ler no metro? Outros sacos?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Chegar aqui

Estive aqui a reler post antigos e percebi que desejei tanto o que me está a acontecer que, hoje, não consigo deixar de ter medo do que aí vem. Quando as expectativas, esperanças e desilusões são grandes, chegar ao ponto de partida que sonhámos anos a fio pode ser tenebroso... A minha natural (?) tendência para dramatizar impede-me, às vezes, de celebrar a sério este momento fantástico. E não é que depois de sair, voltei?!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Faz tudo

Depois de muita reflexão, comprámos a famosa Bimby. Já a tenho há três dias e ainda não peguei num tacho. A tecnologia serve para isto mesmo, não?

sábado, dezembro 02, 2006

Ocupação


Ocupar uma casa é um processo gradual. A primeira noite em que se estreia o quarto, as casas de banho, a sala, a cozinha, vamos ganhando espaço, conquistando as paredes, puxando tudo para nós. As molduras com fotos, o quadro que comprámos num sitio especial, as prendas dos amigos, os lençóis novos que a mãe ofereceu, contribuem para fazer de uma casa vazia um "lar".
Ainda estou no processo de completa paixoneta pela minha nova casa. Estou a conquistá-la aos poucos e a ocupar com jeitinho todos os cantos.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Em trânsito

Desde segunda-feira que deixei oficiamente de ser jornalista. Foram cinco anos de muito entusiasmo, stress, angústia, alegria, sofrimento, inquietude. Sobretudo, ricos em experiências. Hoje sou o que sou porque fui jornalista. Nunca teria saído do casulo se não fosse a profissão obrigar-me a soltar a garganta. A minha timidez, a exagerada emotividade, a insegurança, foram ultrapassadas em inúmeras ocasiões, desafios que superei sempre surpreendida comigo mesma. Saio deste período da minha vida com expectativa. Ainda não tenho saudades, porque a verdade é que aquilo que dei ainda não me veio devolvido. Ou talvez seja esta mudança a grande recompensa de nunca ter desistido do sonho.
Quis ser jornalista porque queria fazer a diferança. Seguir aquela ilusão adolescente de combater as injustiças através da denúncia. Enfim, fiz isso algumas vezes. Posso dizer que toquei na vida de pessoas anónimas, lhes dei esperança, lhes ouvi as histórias e desabafos. Mas também dei voz a outras que nem sempre tinham coisas, de facto, importantes para dizer. Quando o trabalho se torna mecânico é hora de parar. E foi assim que procurei outras coisas. Vou para o outro lado da barricada. Há dez anos atrás, consideraria isso uma traição. Hoje não sou tão radical.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Quero uma

terça-feira, outubro 17, 2006

Teresa Jesus

Tenho mais de um século de vida. Nas minhas rugas estão as minhas lutas. Sempre trabalhei. A minha infância foi passada numa fábrica que tinha milhares de trabalhadores, a mexer em cortiça. Casei tarde, aos 28 anos, com um corticeiro chamado Baltasar. Tive um filho e hoje encosto-me a este portão e recordo com saudade esta casinha, onde trabalhei durante 55 anos. Gosto de mexer na fechadura e imaginar que subo as escadas em direcção à sala onde, aos 10 anos, tirava as aparas das rolhas. Tenho 101, mas as forças para andar não me abandonaram. Estou lúcida. E tenho muitos amigos.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Garagem

É o mito do empreendedorismo. Num espaço rectangular, sem luz e sem piada nenhuma nascem ideias milionárias, como a do You Tube ou do Google. Se calhar, o que falta em Portugal são apenas garagens. Talvez não as haja em quantidade suficiente.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O Homem Almofada

Vou ao teatro de tempos a tempos. Tenho sempre vontade de ir, mas lembro-me sempre das desilusões que já apanhei e das secas bolorentas que vivi naquelas cadeiras duras. Mas ontem, depois de ver The Pillowman, escrito por Martin McDonagh e encenado por Tiago Guedes, pensei tanto nas histórias que li quando era criança que só por isso já valeu a pena. Escrever é uma responsabilidade enorme e quem utiliza as palavras como ganha pão, depressa se esquece das consequências invisiveis que provoca.

Mudar

Quando tomamos decisões, provocamos coisas nos outros, mesmo que só a nós nos digam respeito. Não é fácil fazer passar mensagens ou mostrar aos que nos rodeiam que não estamos assim tão satisfeitos com a nossa vidinha. Apesar das gargalhadas e da boa disposição, é normal querermos mudar. O mais interessante nisto tudo, é perceber a imagem que reflectimos no espelho, a opinião que os outros têm de nós. Com decisões, baralhamos a estabilidade, a rotina, as verdades que não se mudam e, por isso, se tomam por garantidas. Quando decidimos mudar, mudamos também os outros.

terça-feira, outubro 03, 2006

Encantamento

Quando nos mudamos para um sítio novo, há sempre uma fase de encantamento. Olhamos as ruas de forma diferente, observamos as pessoas com curiosidade genuína, imaginamos e traçamos planos ambiciosos para as tardes de domingo. Depois, quando a novidade passa, começamos a entrar numa rotina contínua, deixando cair por terra alguns dos objectivos iniciais. Passamos a encarar o novo espaço como habitual, os percursos diários tornam-se monótonos e até os pequenos detalhes deixam de ter tanta importância. Não seria magnífico podermos preservar o primeiro olhar, todos os dias? Ver sempre o essencial, aquilo que é "invisível aos olhos", como se lê no Principezinho... Porque é que perdemos o encanto da novidade?

terça-feira, setembro 26, 2006

Ligações


Será estranho não sentir qualquer melancolia ou pena ao abandonar uma casa onde vivi durante dois anos? É pouco tempo, mas é no nosso habitat que passamos o nosso tempo, que rimos e choramos. Ao ver as paredes sem quadros, a ausência de tapetes e os pregos inestéticos espetados por todo o lado, não me ocorre nenhum pensamento de saudade. Estou, até, aliviada por finalmente ver o desfecho desta novela. Não vou ter saudades. Nem do campo. Nem das ovelhas.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Café

Gosto de entrar num café em Lisboa e de ouvir os clientes a serem tratados pelo nome. Gosto da familiaridade que não exagera, que não é intrometida, que é educada e sensível. Gosto do cheiro de casas antigas, cheias de recordações e momentos perdidos. Gosto de passear nas ruas estreitas, de subir as calçadas e ouvir o som dos meus sapatos nas pedras. Tac, tac, tac.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Espiritualidade

Este fim de semana estive num café que tem uma capela. É o primeiro em Portugal e copia uma ideia do Canadá, da década de 70. Enquanto se bebe um bica e se pede uma tosta mista, reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria. A mistura até parece estranha, mas diz quem arrancou com o projecto que o objectivo é agarrar todos os que se sentem afastados da Igreja.
Eu até gostava de me sentir mais próxima porque acreditar numa coisa que nos supera, que nos guia, é muito confortável quando a vida anda meio desnorteada. Sentir que estamos sozinhos no universo e que só servimos para nascer e morrer deixa-nos angustiados e, por isso, acreditar em Deus é uma espécie de bálsamo. Mas é difícil abraçar esta causa quando a visão que nos passam é limitada por muitas barreiras e fronteiras.
O café até podia ser um espaço de encontro livre com Deus ou com a fé de cada um, mas como sempre, há a tendência de limitar a liberdade religiosa a uma única verdade. Uma boa oportunidade seria, sim, um café verdadeiramente espiritual, onde pudéssemos reflectir, meditar, conversar sem censuras sobre o mundo que nos rodeia. Bebendo uma chávena de chá.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Coisas normais

Será normal uma auto-estrada ter tampas de esgoto de dois em dois metros na faixa da direita que, por sinal, foi acabadinha de fazer graças a um alargamento das vias?

terça-feira, setembro 12, 2006

segunda-feira, setembro 11, 2006

Mudar paradigmas

Acertar é humano. O ser humano ou acerta, ou aprende, não erra.
(Leila Navarro, oradora brasileira)

sábado, setembro 09, 2006

Arrumações I

Metade da minha sala já parece vazia. Arrumámos livros, molduras, velas e foi o suficiente para já sentir que a casa vai deixar de ser minha aos poucos. Ontem tivemos o último jantar com amigos aqui no PN e foi muito bom! Daqui a um mês será o primeiro na casa nova.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Mudanças II

Ontem disseram-me que na minha vida as coisas mudam muito depressa. Hoje é uma coisa e amanhã outra. Ponho-me a pensar e chego à conclusão que a única coisa que muda são os acessórios. Muda o trabalho constantemente, os textos, os acontecimentos, os cenários, mas o essencial mantém-se sempre firme. Apesar de todos os solavancos que tenho tido, não acho que a minha vida mude muito depressa. Tenho tendência até para achar que, neste momento, precisava mesmo de uma mudança séria de ambiente. Mudar de casa vem mesmo a calhar. E a ideia de ter um percurso direitinho e uma rotina esmagadora também não combina com a minha insatisfação permanente.
Ainda bem que posso escolher mudar as coisas e não ficar presa ao que os outros consideram ser "o caminho certo". Se calhar é por isso que dou muito valor a quem me dá valor. E esses estão sempre aqui para o que der o vier. Sim, a minha vida hoje é diferente da de há um mês atrás.
E depois?

quarta-feira, setembro 06, 2006

Mudanças

Parece que é desta que vou deixar o campo. Depois de muitos meses de grandes avanços e recuos, a escritura deve acontecer este mês! Vamos deixar os passeios à noite pela vila, os pastéis de nata quentinhos, o cheiro a vaca aos sábados de manhã (esta parte é boa!) e a calma que contamina todos os empregados das lojas de comércio local. Acho que nunca nos integrámos muito bem neste ritmo próprio do PN. Estamos habituados ao stress, a ser atendidos com prontidão. Mas também vamos perder coisas boas. Por exemplo, sentar numa mesa ocupada por um velhote (por não existirem mais livres) e tomar o pequeno almoço a ouvir a sua história.
Vamos mudar-nos para uma cidade nos subúrbios da capital, mas continuamos na margem esquerda do rio.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Energia

Realmente não fui feita para ter muito tempo. Sempre que tenho coisas para fazer com prazos do tipo duas semanas ou um mês ando a arrastar-me pela casa, sempre a pensar que ainda falta muito. A melhor parte é quando o prazo começa a apertar e eu sinto aquela dorzita de barriga a dar o alerta. Fora as noites agitadas a fazer checklists mentais e dias como o de hoje em que me doem os dedos de tanto escrever... o que eu gosto é mesmo de uns bons momentos de stress! É quando produzo mais, tenho mais ideias, sou muito mais competente.
Já agora, para quem é fanático das listinhas para tudo encontrei este site http://www.checklists.com/ que apesar de ser horrível graficamente pode ser útil.

terça-feira, agosto 29, 2006

Construir

Acho fantástico as pessoas que têm força para construir coisas. Deixar marca no que fazem, fazer nascer associações, criar uma empresa, dar vida a um projecto. Não ficar parado à espera que a chuva caia no mar é uma virtude.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Hoje vi pessoas a chorar porque trabalham a 200%, dão o litro, o corpo e a alma a um projecto e nunca são recompensadas. Vi um jovem a ouvir conselhos de um velho no banco do jardim que lhe dizia que é preciso acreditar em Deus para levar melhor a vida. Na estação, vi um idoso a ler o horário dos comboios com uma lupa, apesar dos óculos de lentes grossas que trazia (será que custa pôr as letras maiores?!). Ouvi propostas salariais chocantes. Abaixo do limiar da pobreza. Que eu não faria nem sequer à querida D. Ana que me vem limpar a casa. Hoje vi.

quarta-feira, agosto 23, 2006

100%

Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

É o meu preferido de Ricardo Reis (Fernando Pessoa) e senti arrepios quando o vi cravado na lápide do poeta no Mosteiro dos Jerónimos. Uma coincidência boa.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Neve


Um pouco de frio para combater este calor que se cola ao corpo

quinta-feira, agosto 10, 2006

Fim dos queixumes

Refeita do susto, já tracei um plano para os próximos tempos. Não vale a pena estar a lamentar-me do azar que me persegue. É um facto que quase todos os trabalhos que tive acabaram por ter de fechar portas por motivos financeiros... será que tenho um karma qualquer estranho??
Enfim, neste momento é mesmo "rir para não chorar". E vou de férias. E estou quase quase a vender a minha casa. E sou uma pessoa feliz. Estou rodeada de pessoas boas. E tenho ao meu lado a melhor delas todas. Não dá para me queixar.

terça-feira, agosto 08, 2006

Intuição

Quando escrevi o último post estava longe de imaginar que hoje tinha de voltar a procurar trabalho. Desta vez, estava a começar a desfrutar da estabilidade e a verdade é que a vida profissional era, neste momento, a última das minhas preocupações. Nunca fui boa a fazer premonições ou a seguir a minha intuição.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Probabilidades

Fiz 28 anos há pouco tempo e ofereceram-me um livro. Na dedicatória escreveram, entre outras coisas, que "a vida é que o que fazemos dela". Passei os dias seguintes a pensar nesta frase cliché e cheguei à conclusão que, sim, que a vida está nas nossas mãos, somos nós que escolhemos o caminho. Mas não está na totalidade. As nossas escolhas são feitas com base no que nos acontece, na nossa "fatalidade", destino, sei lá. Eu não escolhi estar quatro anos a lutar por um emprego. Nem ter de lidar com as novidades menos boas que nos aconteceram nesta semana. O que posso fazer é reagir, tentar contornar os obstáculos e chegar a alguma conclusão. Mesmo que seja má.
Mando na minha vida só quando tento resolver os problemas que aparecem e, aí, defino o futuro, faço girar a roda das probabilidades.

quinta-feira, julho 27, 2006

À espera

Ando à espera. À espera sair de onde estou, à espera de receber uma nova vida, à espera de gostar mais de mim, à espera de não deixar fugir a criança endiabrada que tenho cá dentro. Enquanto espero, a vida vai passando apressada, de mala a tiracolo e projectos que nunca mais acabam. Enquanto espero, equilibro-me em cima de uma barra e caminho devagar, como que a pedir à vida para esperar também. É só mais um bocadinho.

terça-feira, julho 25, 2006

Líbano e Israel

Não é irónico um Prémio Nobel da Paz dizer que a única solução é a guerra?

segunda-feira, junho 26, 2006

Apontamentos

Mário, 85 anos, e Floripes Silva, 83 anos moram nos Foros de Amora, numa vivenda de madeira a que chamam casa de praia. As leituras não correm bem, até porque os olhos cansados não ajudam a focar as letras. Mário conta com visível ironia que a primeira vez que entrou numa escola foi aos 45 anos para fazer o exame da 4ª classe.

Apesar da idade e da cadeira de rodas que lhe impede os movimentos, Floripes segura um livro de Aquilino Ribeiro e esforça os olhos para ler.

A D. Laurinda gostava de “ler qualquer coisa do António Lobo Antunes”. Sem nunca ter tido a hipótese de estudar e com um filho deficiente a seu cargo, gosta de “leitura realista e expressiva”. Em quinze dias leu o primeiro volume de “O tempo e o vento”, de Eurico Veríssimo.

quarta-feira, junho 21, 2006

O dia mais longo do ano

Hoje é o dia mais longo do ano. O Verão já chegou às 13h26 e só vai terminar na madrugada de 23 de Setembro. Segundo a Lusa, o Sol nasceu ainda na Primavera, às 06h12, e só vai desaparecer às 21h05. Já sinto o cheiro das férias...

domingo, junho 18, 2006

A bandeira do futebol

Mais do que a bandeira de Portugal, o que vemos à janela das casas por esse país fora é o símbolo da selecção de futebol. Serve para tudo: para vender mais jornais, para ganhar mais clientes, para dar ainda mais ânimo e euforia aos adeptos que fingem durante um mês ser mais patriotas que o Presidente da República. Não interessa se se invade o espaço, as cores da bandeira com logótipos de empresas ou frases publicitárias. O que importa é que 90% do espaço ocupado no pano traduz o símbolo nacional e com isso iludir os fervorosos consumidores. Enquanto eles desfilam com o pano das cores nacionais, divulgam o produto e a marca de um qualquer banco ou loja de tintas.
Não tenho bandeira à janela, não me choca que na minha rua haja novas cores nas varandas, mas não deixa de me irritar a presença de símbolos e marcas num espaço que deve ser respeitado. A bandeira é um símbolo de uma nação. Não devia ser utilizado para fins comerciais.

domingo, junho 11, 2006

quinta-feira, junho 08, 2006

Tribos

A minha veia de repórter está a atenuar-se, à medida que o olho e as mãos se destreinam de rotinas. Ontem fui ao SBSR e havia muito para escrever sobre a tribo que vibrou com todos as bandas - fantásticas - e gritou com a força permitida pelos pulmões. Pular, dançar, gritar, rir alto no meio da multidão é uma terapia fabulosa. E ontem, apesar do cansaço e de todas as preocupações, deixei naquele recinto todos os meus medos. Expulsei-os com um berro ao som de "what do you, do you, do you want to". Melhor do que ir a um spa.

segunda-feira, maio 22, 2006

Sintomas crónicos

Não é novidade: sempre que as coisas me correm bem, fico sem motivação para escrever coisas mais pessoais. Era profícua em poesia e histórias sempre que tinha dúvidas existenciais. Escrevia páginas e páginas de frases poéticas (ou pseudo-poéticas) sempre que me sentia presa, limitada, ofuscada.
Mais recentemente, para além de ter deixado de fazer aqueles trabalhos de rua que me obrigavam a olhar para as coisas e pessoas com olhos de lince, acabei por não recorrer ao blog para desfiar as minhas mágoas. Há assuntos que são demasiado pessoais e isto de escrever na internet tem os seus contras nestas coisas. É uma contradiçao escrever aqui, abertamente, mas esconder. Enfim, dúvidas existenciais que talvez dêem para escrever umas linhas de poesia ;)
Agora que a tempestade passou - e que eu percebi que também preciso de ler livros de auto-ajuda - talvez consiga voltar a treinar o meu olhar para as pequenas coisas.

domingo, maio 07, 2006

Sonho


Não há nada melhor do que a ilusão de termos uma praia só para nós.

Contradições

Fiquei sem tempo para escrever assiduamento no blog. Pelo menos nesta fase, ainda não consigo puxar umas horas do relógio para as minhas coisas. Tenho, finalmente, um trabalho mais estável, mas isso está a custar-me estes momentos. As coisas nunca são perfeitas e, à medida que cresço, apercebo-me como isto é verdade. Tinha uma visão muito romântica do futuro. Achava que bastava dar os passos certos e o óbvio acontecia. Mas os anos que vou conquistando, e ainda são poucos, estão a dar-me uma perspectiva totalmente nova. Estou a descobrir outras razões e outros futuros e, talvez por isso, esteja numa fase mais instável da minha vida. É como se tivesse de encontrar de novo "aquela" certeza que me faz ir para a frente sem medo. A ideia que tinha não corresponde à realidade. E os factores exteriores são sempre mais fortes do que a nossa vontade.

sexta-feira, abril 21, 2006

Jardinagem

Aqui no PN cuidam do jardim como um cuidado exímio. Todos os dias, as senhoras jardineiras da junta de freguesia escavam a terra, limpam ervas, plantam flores, conversam sobre a chefe e fazem contas à vida. Todos os dias de manhã cheira a relva acabada de cortar, a estrume de vaca (ou cavalo) e há movimentações frenéticas à volta do jardim, que rodeia a igreja e o coreto. Nas últimas eleições, a recuperação deste último foi promessa política de candidatos com ar de velhinhos simpáticos. Não ganharam. Só gostava que, a juntar ao cuidado extremo que têm com o jardim, a junta de freguesia tivesse também vontade de remendar o chão. Não é bonito ter flores lindas rodeadas de lages partidas. Porque é que deixamos sempre tudo a meio?

terça-feira, abril 18, 2006

Coisas simples

Fui a um casamento que seria igual a muitos outros se o noivo não estivesse numa cama de hospital totalmente paralisado. Apesar dos tubos, garrafas de oxigénio e médicos que o rodeavam, estava feliz. Disse da melhor forma que pôde que quer amar e respeitar para sempre a esposa, nos bons e nos maus momentos. A noiva estava radiante, consciente da luta que está a travar, mas feliz por estar ao lado de quem ama.
Os dois, juntos, conseguiram ver as coisas simples, as que interessam mesmo. E eu sinto-me orgulhosa por poder assistir a estes momentos de cumplicidade.

quinta-feira, abril 13, 2006

Pecados

Antes de mais, um obrigado aos jornalistas, bombeiros, médicos, funcionários públicos, pedreiros, domésticas e comerciantes que nunca assinam livros de ponto e se escapam para umas mini-férias. Agora, um ponto de exclamação bem reforçado para a nova lista de pecados, hoje divulgada pelo Vaticano que eu aqui adapto livremente e à minha maneira:

Não lerás jornais em demasia
Não consultarás páginas na Internet
Não ligarás a televisão e assisitirás à Floribela
Não terás conhecimento e cultura em excessso
Não serás inteligente e culto
O teu livro de cabeceira será a Bíblia, e só a Bíblia.

É por estas e por outras que deixei de ir à missa. Apesar de continuar a ter fé.

terça-feira, abril 11, 2006

Meter o nariz

Às vezes ponho o nariz onde não sou chamada. É mais forte do que eu. Sinto logo uma espécie de comichão no cérebro e a língua dispara sem me dar tempo para grandes reflexões. Às vezes mais valia estar caladinha... Mas como é que se consegue aguentar uma coisa que é, ao mesmo tempo, tão física? É como se o próprio corpo quisesse falar por si, como se não fosse o meu cérebro a comandar a sala de operações.

sexta-feira, abril 07, 2006

Cabeleireiro

Fui ao cabeleireiro. As clientes eram quase todas velhotas, com os seus 65 anos marcados no rosto e os cabelos ralos e cinzentos. Sentada ao meu lado, uma das senhoras contava que tinha acabado de ter mais um neto. "A burra pariu um burro", declarou com ironia. Mas era mesmo verdade. Ela tem dois cavalos e três burros. A melhor parte é que fiquei a saber que esta é a mesma senhora que levou um burro com um cachecol da selecção para a porta da Academia de Alcochete quando nos nossos jogadores estavam aí a treinar. Viver no campo é emocionante.

terça-feira, abril 04, 2006

Coisas boas

Este texto é uma fotografia. Vê-se uma gargalhada imensa, que atravessa o rosto de um lado ao outro e os olhos encolhem-se, empurrados pelas bochechas. Aconteceu-me uma coisa que já esperava há muito tempo. Uma coisa boa.

segunda-feira, abril 03, 2006

Em repeat

Epitáfio (Titãs)

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são

Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Acordar

O despertador ainda não tocou mas eu já estou a ouvir a vizinha de baixo a levantar as persianas. Depois de bater com força os estores, vai à casa de banho e puxa o autoclismo. Toma banho durante meia hora e, provavelmente depois de tomar o pequeno almoço, sai do prédio. O trinco da fechadura ouve-se em todos os andares. Acabei de ouvir a porta a bater.
Cá no prédio damo-nos todos bem. Ou melhor, decidimos tomar todas as decisões por unanimidade. Se um de nós não estiver satisfeito, os outros aceitam. Tem resultado até agora porque não há conflito de interesses, mas é óbvio que esta não será uma paz duradoura.
Agora é a outra vizinha que acorda e abre a persiana. Hoje acordei cedo e não consigo voltar a adormecer.
Morar num apartamento implica partilhar hábitos íntimos que até chegam a ser assustadores. Eu não quero, mas sou obrigada a conhecer os passos de quem entra e sai, de quem puxa o autoclismo, de quem demora mais ou menos tempo a tomar banho. Vivemos em comunidade, mas fingimos distância uns dos outros, dando o espaço essencial para viver em paz. Dizemos "Bom dia", trocamos dois dedos de conversa, e vamos à nossa vida. Mas sabemos que a vizinha nunca põe música aos altos berros e gosta de lençóis cor-de-rosa.
Cá no prédio só vivem mulheres. Excepto eu e o N. que somos o único casal representado. Nas reuniões de condomínio, que são feitas em casa do administrador, nunca há discussões. A não ser que esteja presente alguém que não faz parte desta comunidade improvisada. Como o proprietário do restaurante que insiste em gabar-se da sua inteligência, menosprezando a dos outros. Às vezes, como hoje, só queria ter sono outra vez para não ouvir a vida das minhas vizinhas.

quinta-feira, março 30, 2006

O Bom Samaritano

"John Suhrhoff, de San Rafael, Califórnia, é a personificação da figura do bom samaritano: encontrou uma mala com jóias no valor de 1 milhão de dólares e entregou-a à polícia de Sausalito, no mesmo estado dos EUA. A mala continha um relógio Cartier, anéis de diamantes e rubis, brincos de pérola, colares com grandes diamantes e 500 dólares em dinheiro. A dona, Shala Ghannadian, de Toronto (Canadá), já foi localizada. As jóias têm passado de geração em geração na sua família com raízes no Irão" (publico.pt) . Não é maravilhoso?

quarta-feira, março 29, 2006

Rir

É o melhor remédio de todos. Rir de nós próprios, dos outros, de nada e de tudo. Rir até chorar, "rir para não chorar", como dizia a canção brasileira, rir de loucura e profunda alegria, rir de parvoíces e de verdades. Rir de realidades feias mascaradas de piadas num espectáculo de stand-up comedy ou de uma gaffe imperdoável de um político autoritário.
Adoro rir. E quando o faço, abro a boca toda para que a gargalhada não fique presa cá dentro. Rir com vontade, mostrar os dentes, a língua, a garganta. Rir alto e fazer os outros saltar da cadeira com tanto exagero. Viva o riso genuíno! Viva! Viva!

segunda-feira, março 27, 2006

Wikipédia

Um ataque de pânico, também conhecido como crise de pânico ou crise de ansiedade, é um período de intenso medo ou desconforto, tipicamente abrupto e durando, geralmente, não mais do que trinta minutos. Os sintomas incluem tremores, dificuldade em respirar, palpitações do coração, náuseas e tontura. A desordem difere de outros tipos de ansiedade na medida em que o ataque de pânico acontece de forma súbita, parece não ter sido provocado e é geralmente incapacitante.

quarta-feira, março 22, 2006

Campo

As cidades sempre me fascinaram. Porque conseguem misturar constrastes únicos, porque somos invisíveis quando queremos e chamamos a atenção quando nos apetece. Porque têm barulho, vida, mas também silêncio. Porque ainda há laranjeiras em grandes rotundas.
Mas apesar disso, mudei-me para o campo. O Pinhal Novo é uma vila quase rural, mas tem grandes cidades por perto. Eu sou mesmo assim: gosto de estar longe, mas com a âncora presa e terra à vista. Nas manhãs em que me apetece correr, tenho um encontro marcado com estes amigos da foto. Ainda se assustam quando passo pela vedação. Acham-me estranha. Acho que vou ter saudades deles quando me mudar. Mas só de vez de quando :)

segunda-feira, março 20, 2006

É incrível...

... como no espaço de 24 horas tudo muda, tudo chove, tudo abana. E são precisas outras 24 horas para a ordem ser restabelecida. A verdade é que sou obcecada pela organização, pelo equilíbrio perfeito entre o caos e a tranquilidade.

sexta-feira, março 17, 2006

Mercados

Adoro o cheiro da fruta e dos legumes alinhados nas bancas do mercado. Das peixeiras, sempre gordas, que gostam de falar alto e de cantar logo bem cedo. Dos clientes que cirandam a inspeccionar os produtos, dos vendedores com histórias incríveis.
Entrevistei um, na Cova da Piedade, com licenciatura em Inglês e filhos na Faculdade de Medicina. Fala muitas línguas, diz que é inteligente e que vende peixe na praça para seguir as pisadas da família. Veste camisa justa, aberta no peito, cabelo penteadinho para trás com gel e mexe as mãos de um jeito castiço.
É nos mercados que faço as minhas melhores compras. E saio sempre de lá com alguma história.

quinta-feira, março 16, 2006

A perfect day

Foi um dia daqueles. Que não re repetem muitas vezes porque só contêm boas novidades. Só coisas boas. Hoje fiquei a saber que vou ter outro sobrinho (ou sobrinha), que a venda da minha casa está bem encaminhada e que há projectos no futuro para mim. Foi preciso suar muito para ter um dia como o de hoje. E o melhor é poder partilhá-lo com alguém que me ocupa a alma e o ser. Como eu nunca pensei ser possível.

terça-feira, março 14, 2006

My name is Jack


Gosto do Jack porque é levezinho. Óptimo para andar de carro nestas distâncias intermináveis que me separam. O que mais gostei no concerto de ontem não foi só da t-shirt verde que ele tinha vestida. Há muito tempo que não estava com tantos adolescentes e jovens (13-19 anos) e não consegui evitar pensar que, se tivesse a idade deles, também me vestia assim. Na minha altura, as opções eram muito poucas. Não havia tanta cor e meia rotas, nem telemóveis.
Ver um concerto sem isqueiros é uma experiência do outro mundo. Para quê gastar gás se os modelos mais modernos dos telemóveis se iluminam todos? E para quê estar especado a ver um surfista a tocar guitarra se se pode gravar tudo na máquina digital para depois mostrar aos amigos que o-concerto-foi-o-máximo?
No meio da multidao, vi uma rapariga a encostar-se devagarinho a um rapaz que passava e a olhar para ele com olhares de predadora. E adolescentes com o casaco meio despido, só a mostar o ombro. E um homem de gravata que olhava para tudo aquilo com ar divertido. E rapazes com roupa de marca a gritar. E surfistas que trocavam carícias constantemente, enquanto na casa de banho mais uma rapariga vomitava.
O Jack falou pouco. Dá para perceber porquê.

segunda-feira, março 13, 2006

Outra vez

Mas porque é que há coisas que ficam penduradas e que só pegamos nelas quando já não dá mais para segurar? Detesto esta sensação e confundo-a com preguiça. Não acho que seja. Até porque acabei de escrever mais uma peça. Fazer duas seguidas é obra. E hoje está demasiado sol...

terça-feira, março 07, 2006

Tradição histórica na cidade

Já vou atrasada na colocação deste post, mas acho que vale a pena. Foi uma boa surpresa ter assitido ao Enterro do Entrudo no Fogueteiro. É uma localidade urbana, cheia de prédios desordenados, sem graça nenhuma. Há bairros sociais, barracas, comércio de rua e estacionamento confuso. É urbana, dormitório puro. Mas há mais de 30 anos, quem veio do Alentejo para a Margem Sul à procura de uma vida melhor, trouxe consigo algumas tradições. Não se importou com a ausência da planície ou da lentidão das horas e imprimiu um cunho pessoal neste aglomerado incaracterístico.
Um grupo de idosos lembrou-se, este ano, de recordar a tradição e encenou o Enterro do Entrudo no meio da rua. Com uma alegria invejável. Genuína. Quando for velhinha também quero ser assim.

quarta-feira, março 01, 2006

Medo, muito medo

Hoje não era para escrever, mas em conversa com o meu pai soube uma história incrível.
Numa terra pequena, mas com direito a câmara municipal, decidiram recriar uma antiga tradição: cantar as Janeiras. Um dos habitantes de uma aldeia preciosa e cheia de verde, pegou numa pandeireta e juntou-se ao grupo de cantores improvisados para bater à porta da sede da autarquia, bem no centro da vila. Quando se preparava para embarcar na aventura, uma miúda que nem 30 anos tem disse-lhe: "Não pode levar essa pandeireta vermelha". Ele respondeu: "Não posso? Ora essa! E porquê?". "Porque parece mal", respondeu ela.

Parece mal levar um objecto vermelho numa terra de PSDs. Não tenho nada contra os sociais democratas, mas esta proibição e censura velada mete-me medo. Muito medo. Lá na terra é assim. As pessoas votam sempre nos mesmos porque têm medo, imagine-se, que alguém descubra que apoiaram outro partido. Isto é assustador.

Sim, a pandeireta vermelha (ou seja, de esquerda, do PCP segundo a interpretação mesquinha dessa parasita) ficou pelo caminho. E o senhor desistiu de cantar as Janeiras. Só mais tarde é que percebeu porque é que não pode participar na cantoria. Por causa da pandeireta, claro. E porque a tal miúda trabalha na câmara, tal como o seu pai com a 4ª classe que é chefe da divisão de urbanismo. Xiça.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Gente

Este fim de semana estive em Lagos e conheci uma senhora que criou seis filhos sozinha. Também fiquei a saber onde é que se vendem os melhores bolos regionais com amêndoa nacional através do Sr. Costinha, com quem falei numa pastelaria. Apesar da chuva, o peixe assado continua delicioso. E as pessoas que se cruzaram comigo nestes dias deram-me o que eu mais amo. Uma certeza de que há gente. De que há pessoas com histórias, dispostas a partilhá-las numa mesa comprida e de bancos corridos.
A senhora, de quem nunca cheguei a saber o nome, saiu de casa e de um casamento violento com os seis filhos e consegui criá-los totalmente sozinha. Tinha e tem três empregos diferentes apesar dos seus 60 anos. Continua a limpar uma clínica, a ser interna numa casa de gente com algum dinheiro e ainda cuida de uma idosa senil. Tem o rosto digno e muitos netos que a adoram. O amor alimenta. Cada vez tenho mais certezas quanto a isso. Se não fosse o amor que ela tem pelos filhos (e por ela própria) nunca teria deixado o marido. "A minha vida dava um livro", disse-me, quando lhe perguntei como é que conseguiu sair de casa, a pé, com seis crianças pelas mãos. Há livros que mereciam ser escritos.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A dobrar

Hoje é a dobrar. Estou à espera de uma resposta, aliás, de duas e enquanto o tempo passa, cada vez tenho mais pressa. Estou cansada e gasta. O meu cérebro está a um fio de adormecer. Andei demasiado de carro. Por caminhos que desconhecia e só vi estrada e estrada e estrada. Este isolamento está a provocar-me pânico da distância.

Aviso: Pode transformar-se em liberdade de expressão

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Comida

Cada vez mais me convenço que tenho uma estranha relação com a comida. Quando penso num prato, numa erva, num sabor particular, fico com água na boca. Literalmente. Só de pensar nos cheiros, vapores, texturas dos alimentos, de saborear cada ingrediente, fico com vontade de procurar uma nova receita e de experimentar. Adoro o programa "Na Roça com os Tachos", mas não há ninguém como o Jamie Oliver para me dar vontade de cozinhar. O meu irmão ofereceu-me um livro dele este Natal e as fotografias são muito sugestivas...
Se eu vencesse a preguiça que me corrói tantas vezes a alma, seria sem dúvida uma verdadeira gourmet. O meu almoço de hoje foi uma tosta de queijo com tomate, cogumelos frescos e manjericão (finalmente consegui comprar a erva fresca no El Corte Inglés). Estava uma delícia. Modéstia à parte, claro. Há dias que só fazem sentido quando temos uma nova receita para experimentar e inventar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Milagre

Acho que o Nuno escreveu as palavras certas (http://iwentoutsidetoday.blogspot.com/). É muito difícil exprimir um sentimento que foi sendo construído ao longo de anos de amizade. Ver naquele berço quentinho do hospital a nossa querida bebé é indiscritível. É linda. Mesmo. Não digo isto porque a mãe dela é uma das minhas amigas mais chegadas e maravilhosas. É que ela é mesmo linda. Está bem com ela própria. Estou desejosa de a olhar com calma e lhe dizer que quero muito ser uma verdadeira tia emprestada. Que pode vir cá a casa brincar connosco sempre que queira. Estou desejosa de lhe fazer um bolo de chocolate e de a ver comer com um brilho nos olhos. Nascer é um milagre.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Bolas de sabão

O mundo é de plástico. Melhor. Há mundos que são de plástico. Com camadas de base espessa que esconde os defeitos todos da pele do rosto. De sorrisos para os flashes, de pose divertida, de vestidos que não se vendem na Zara ou em qualquer uma das lojas da multinacional espanhola. Cair de paraquedas num evento social e ver estas bolas de sabão (metáfora muito simpática até!) não deixa de ser divertido. As vozes anasaladas, repletas de "você" e outras expressões típicas de um Portugal dos pequeninos, podem causar-me arrepios, mas não deixam de me divertir. Os VIPS que proliferam nas revistas pertencem a um mundo que cabe numa caixa muito pequena: a televisão. É ela que lhes dá vida, que cria personagens festivos, bem vestidos e cheirosos, com o glamour próprio de uma novela.
Estas pessoas vão a quase todos os sítios de graça. Recebem quilos de convites, são tratadas como "importantes". Enchem as salas nas ante-estreias ou na apresentação de livros para que o povo que paga bilhete lhes siga os passos. São bonecos numa estratégia de marketing cultural à escala de um Portugal de 10 milhões de habitantes. Alimentam a indústria dos media e os sonhos de quem folheia as revistas de corazón. São puro entretenimento. A mim, divertem-me!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Infância

É incrível ouvir as músicas que nos acompanharam durante a infância. Um misto de alegria com saudade. Chega a ser até emocionante. Incrível como um anúncio como o do Quitoso ou a música do Vitinho nos despertam os sentidos. Faz-se uma espécie de viagem até esses momentos concretos da infância, das histórias antes de adormecer, das fantasias imensas que pensávamos que eram realidade. Acho que o nosso cérebro vai encolhendo à medida que crescemos. Em criança, aqui dentro havia um espaço imenso para descobrir. Ainda bem que há quem aplique o seu tempo livre a fazer sítios como este... Fazem as delícias dos trintões e dos "vintões" que estão a caminhar para lá... http://www.misteriojuvenil.com/piratas_momentomagico.htm

sábado, fevereiro 04, 2006

Quando cai neve...


As montanhas não pareciam algodão doce. Faziam-me lembrar as cavacas, aqueles doces das Caldas da Rainha ocos por dentro e cheios de açúcar por fora. Tentar fazer ski é tão divertido que parecia uma criança de boca aberta, deslumbrada com cada queda e cada vitória.
Foram três dias cheios. Um privilégio.
(Foto tirada nos pirinéus aragoneses, perto de Huesca)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Regresso

Ontem foi um dia "daqueles". Os episódios sucederam-se à medida que as horas iam avançando. Depois de uma hora de conversa com mais um pretendente a ficar com a minha casa, uma reunião de câmara cheia de dúvidas políticas, uma fatia de bolo de chocolate e a reportagem de um crime ao cair do dia, a minha cabeça estava a mil. Passei a noite num embrulho mental, sempre a pensar em tudo. Pelo meio, ainda enviei mensagens para tentar que umas almas caridosas me fossem ajudar este domingo a vender a mascote da associação de doenças raras. Nem uma resposta no meu telemóvel. Será que me estão deliberadamente a ignorar? Mais vale dizer logo que não...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O dia mais deprimento do ano

Não é por acaso que o conceituado professor da Universidade de Cardiff, Cliff Arnall, calculou que hoje é o dia mais deprimente do ano. Por todos os motivos que ele invoca e outros que eu própria e quase 50% dos portugueses acrescentamos. Não gosto de escrever sobre política, mas a verdade é que o que aconteceu ontem não podia ter sido pior. Há alguém que me convença que o professor doutor Cavaco Silva é mesmo boa pessoa?
Assumo a minha tendência para gostar de gente com bons sentimentos, vibrações e energias que contagiam. E ele só me transmite arrepios finos e desconforto. Não acredito que seja por acaso.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Trevo da sorte

Há crianças que quando nascem são como um trevo de quatro folhas. Iguais aos de três, mas com uma folhinha a mais que faz toda a diferença. Encontrar um trevo de quatro folhas é sinal de boa sorte. E o Marco teve, e tem, esse significado para muita gente. Foi ele o responsável pelo impulso de uma mãe corajosa que dedicou todos os minutos, entre a venda de um jornal e um contacto telefónico, a erguer a Raríssimas. O símbolo desta associação de doentes "raros" é, claro, o trevo da sorte. Que ajuda os pais de crianças com doenças raras, difíceis de diagnosticar num sistema de saúde massificado e pouco individual.
Ontem o Marco deixou-nos. E eu tive a sorte de o poder ter conhecido, de poder participar nesta construção e aventura cheia de amor que é a Raríssimas. Obrigada Paula por teres uma força especial. Que não acaba. Não te esqueças que o trevo de quatro folhas já está plantado.

sábado, janeiro 14, 2006

Beatriz Maria


Tem 74 anos e no Bilhete de identidade o seu nome só tem duas palavras: Beatriz Maria. Decidiu dormir todas as noites na rua, apesar de ter um sítio para viver. Exige uma casa ("se eles têm direito eu também tenho") e esconde uma história de vida.
Disfarça-se debaixo daqueles trapos imundos que cheiram a sujo. Torna-se sem abrigo todas as noites para ter uma casa de graça. Aos fins de semana dança com velhotes num centro de dia, toda arranjada e perfumada. Talvez lhe falte amor.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ano Novo!

Comecei o ano cheia de força. Geralmente acontece-me sempre. O primeiro dia (o segundo, na verdade) depois de uma passagem de ano com os amigos de sempre (gosto muito de vocês!!) é vivido com entusiasmo. Mas ao contrário do que é habitual, não fiz nenhuma promessa a mim mesma, daquelas que nunca cumpro...
Costumava desejar para o ano novo coisas como: ir ao ginásio mais vezes, inscrever-me como voluntária, fazer um curso de pintura, blá, blá, blá. Nunca cumpri nada. Este ano só quis uma coisa e, sim, guardei uma passa para a taça!